O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, foi executado na noite de segunda-feira, 15, em Praia Grande, litoral paulista. Ele estava aposentado da corporação e ocupava o cargo de secretário municipal de Administração desde janeiro de 2023.
Com mais de quatro décadas de atuação, Fontes passou por alguns dos principais órgãos da Polícia Civil. Dirigiu o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) e atuou em unidades estratégicas como o Departamento de Investigações Criminais (Deic), o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) e o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Em 2019, assumiu a chefia da instituição, que exerceu até 2022.
Sua trajetória ficou marcada pelo enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Em 2006, ele foi responsável pelo indiciamento de toda a cúpula da facção, incluindo o líder Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes da transferência dos criminosos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, com pós-graduação em Direito Civil, Fontes também tinha especialização em Administração Pública. Fez cursos no exterior, entre eles treinamento antidrogas e antiterrorismo na França e capacitação em repressão ao narcotráfico no Canadá.
A execução ocorreu quando o carro em que estava foi atingido por um ônibus durante a fuga dos criminosos e capotou. Em seguida, ele foi alvejado com disparos de fuzil. Policiais militares localizaram o veículo usado na ação, que foi incendiado pelos suspeitos. A morte provocou reações de autoridades e entidades de classe. O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, acompanhou pessoalmente a ocorrência. A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil classificou o crime como “tragédia que atinge toda a sociedade brasileira”.
Em dezembro de 2023, Fontes já havia sido vítima de assalto na garagem de casa, em Praia Grande. Na ocasião, ladrões levaram joias, celulares, documentos e uma moto de luxo avaliada em R$ 60 mil.