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Em discurso firme na ONU, Lula manda recado sobre soberania brasileira e afirma que não há pacificação sem punição aos culpados
Presidente brasileiro foi o primeiro a falar nesta terça-feira, 23; Trump discursa na sequência
23/09/2025 12h31
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante o Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, em 23 de setembro de 2025 - Reprodução: ANGELA WEISS/Getty Images

Em um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou uma mensagem contundente a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sem mencioná-lo diretamente. Nesta terça-feira (23), o líder do Partido dos Trabalhadores criticou as sanções impostas pelo governo norte-americano, defendeu a soberania e os princípios democráticos do Brasil, e afirmou que "a agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável".

Críticas ao multilateralismo

"Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas", disse Lula no início de sua fala. "Hoje, contudo, os ideais que inspiraram sua fundação estão ameaçados como nunca estiveram. O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade dessa Organização está em xeque. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra", acrescentou.

O petista também abordou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ressaltou que o ex-líder do Executivo teve amplas oportunidades de defesa e de refutar as acusações. Ele considerou "inaceitável" a interferência de outras nações nesse assunto. "Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis", o presidente declarou. "Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela".

Resistência brasileira

O presidente Lula enfatizou que o Brasil tem sido alvo de diversos ataques, mas que o país continuará resistindo. "Mesmo sob um ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia reconquistada há 40 anos pelo seu povo, após duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativas para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições", ele declarou, fazendo alusão às sanções aplicadas pelos EUA. Em sua visão, "a agressão contra a independência do Poder Judiciário [do Brasil] é inaceitável".

Contexto diplomático e histórico

Esta foi a décima vez que Lula participou do evento, sendo a primeira com o Brasil no meio de uma crise diplomática com os Estados Unidos, o país-sede da Assembleia. A 80ª edição da reunião, que começou nesta terça-feira, conta com a presença de mais de 150 líderes globais.

No total, sem contar o evento deste ano, Lula abriu oito assembleias-gerais, nas edições de 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023 e 2024. Em 2005, seu discurso foi em uma reunião antes da Assembleia Geral, e a abertura oficial foi conduzida por Celso Amorim, hoje assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República. A única edição da qual Lula não participou foi em 2010, pois estava focado na campanha eleitoral de Dilma Rousseff, e Celso Amorim também o representou na ocasião.