Em um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou uma mensagem contundente a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sem mencioná-lo diretamente. Nesta terça-feira (23), o líder do Partido dos Trabalhadores criticou as sanções impostas pelo governo norte-americano, defendeu a soberania e os princípios democráticos do Brasil, e afirmou que "a agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável".
"Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas", disse Lula no início de sua fala. "Hoje, contudo, os ideais que inspiraram sua fundação estão ameaçados como nunca estiveram. O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade dessa Organização está em xeque. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra", acrescentou.
O petista também abordou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ressaltou que o ex-líder do Executivo teve amplas oportunidades de defesa e de refutar as acusações. Ele considerou "inaceitável" a interferência de outras nações nesse assunto. "Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis", o presidente declarou. "Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela".
O presidente Lula enfatizou que o Brasil tem sido alvo de diversos ataques, mas que o país continuará resistindo. "Mesmo sob um ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia reconquistada há 40 anos pelo seu povo, após duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativas para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições", ele declarou, fazendo alusão às sanções aplicadas pelos EUA. Em sua visão, "a agressão contra a independência do Poder Judiciário [do Brasil] é inaceitável".
Esta foi a décima vez que Lula participou do evento, sendo a primeira com o Brasil no meio de uma crise diplomática com os Estados Unidos, o país-sede da Assembleia. A 80ª edição da reunião, que começou nesta terça-feira, conta com a presença de mais de 150 líderes globais.
No total, sem contar o evento deste ano, Lula abriu oito assembleias-gerais, nas edições de 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023 e 2024. Em 2005, seu discurso foi em uma reunião antes da Assembleia Geral, e a abertura oficial foi conduzida por Celso Amorim, hoje assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República. A única edição da qual Lula não participou foi em 2010, pois estava focado na campanha eleitoral de Dilma Rousseff, e Celso Amorim também o representou na ocasião.