Notícias GEOPOLÍTICA
Lula tenta aproximação com Trump mas não arrisca ir de 'peito aberto' para reunião, segundo especialista
Presidente afirmou que está otimista com possibilidade de os governantes fazerem uma reunião
25/09/2025 11h43 Atualizada há 11 meses
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Terra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Reprodução: Valter Campanato/Agência Brasil

O clima de rivalidade política que se estendeu por meses deu lugar a um gesto de conciliação. Em um movimento inesperado na Assembleia Geral da ONU, o presidente norte-americano, Donald Trump, expressou uma postura cordial em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Trump referiu-se a Lula como "um cara legal" e, durante seu discurso na terça-feira (23), sugeriu um encontro com o líder brasileiro para a semana seguinte. Essa aproximação ocorreu após um breve contato de menos de 40 segundos no evento das Nações Unidas.

Na quarta-feira (24), Lula demonstrou otimismo quanto à possibilidade de um encontro rápido entre os dois chefes de Estado, visando dissipar o atual impasse nas relações entre Brasil e EUA. "Tive outra satisfação de ter um encontro com o presidente Trump. Aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu. Fiquei feliz quando ele disse que pintou uma química boa entre nós", declarou.

Questionado sobre a reunião, Lula afirmou que espera uma conversa entre "dois seres humanos civilizados", aludindo ao tenso encontro de Trump com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em fevereiro. "Não há por que ter brincadeira em uma relação entre dois homens de 80 anos de idade. Eu vou tratá-lo com o respeito que merece o presidente dos Estados Unidos, e ele certamente vai me tratar com o respeito que merece o presidente da República Federativa do Brasil", ponderou.

De acordo com Dawisson Belém Lopes, professor de Política Internacional e Comparada na UFMG, a declaração de Trump na ONU desfez o equívoco de que a ala direitista detinha um monopólio de acesso ao governo americano. "Foi um golpe duro na oposição, sobretudo na (ala) bolsonarista, que sentiu o baque e terá de se reorganizar, criar narrativas alternativas", analisou o especialista.

Lopes acredita que Lula deve manter sua abordagem defensiva, evitando abrir mão de sua agenda política ou negociar uma possível anistia a Jair Bolsonaro, que foi condenado por crimes de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "O Brasil suportou bem a pressão e o fato de estar sob fogo cerrado. Essa solidez defensiva acabou levando a uma revisão de rota, de curso de ação. Se Trump estivesse obtendo os resultados pretendidos pela sua política agressiva, imperial, é óbvio que ele não faria o recuo público que fez hoje".

Na mesa de negociações, temas de grande relevância, como a regulamentação de empresas de tecnologia e o acesso dos EUA a minerais estratégicos no Brasil, estão em pauta. Em entrevista na quarta-feira, Lula mostrou-se receptivo à discussão sobre os minerais. "Discutimos com o mundo inteiro nossas terras raras", disse o líder brasileiro. No entanto, o professor da UFMG adverte: "Não se trata de buscar concessões a todo custo".