Notícias CRISE NAS CASAS
Reunião para discutir projeto de anistia é cancelada por desconfiança entre Câmara e Senado
Encontro entre Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que discutiria redução de penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro, não ocorreu devido a acusações mútuas e tensão entre as Casas
25/09/2025 13h13
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Senado - Reprodução: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Em um ambiente de profunda desconfiança e acusações recíprocas, os líderes do Legislativo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), optaram por cancelar a reunião agendada para a noite de quarta-feira (23). A pauta do encontro era a discussão sobre o projeto de lei da anistia.

O encontro havia sido divulgado pelo relator do projeto, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), após uma série de conversas com representantes de diversas bancadas. O texto legal propõe uma redução das sentenças para os indivíduos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, o que poderia beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Tensão entre as Casas Legislativas

Nos corredores da Câmara, parlamentares expressaram receio de uma reação negativa similar àquela observada após a rejeição da PEC da Blindagem no Senado. Fontes da Casa indicam que o relacionamento com os senadores está tenso, com acusações de que houve quebra de acordos sobre o andamento da PEC. Alcolumbre, por sua vez, não confirmou a existência de qualquer compromisso, limitando-se a afirmar que mantém um "diálogo frequente" com Hugo Motta.

A insatisfação é palpável no círculo próximo ao presidente da Câmara. O líder do PP, deputado Dr. Luizinho (AL), comentou que a Câmara ficou "exposta" após a rejeição abrupta da PEC no Senado.

A situação se agrava com a aprovação, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, de um projeto que isenta do Imposto de Renda pessoas com rendimentos de até R$ 5.000. Essa medida coloca pressão sobre a Câmara, que agora se sente forçada a votar uma proposta semelhante do governo federal, intensificando as divergências entre as duas Casas.