Notícias ERRO PROPOSITAL?
Secretaria do DF reconhece falhas em documentos de vistoria na casa de Bolsonaro
A informação consta de ofício enviado nesta quarta-feira 24 ao ministro Alexandre de Moraes
26/09/2025 11h56
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Jair Bolsonaro durante sua prisão domiciliar em 11 de setembro - Reprodução: Sergio Lima/AFP

A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) reconheceu, em comunicação enviada nessa última quarta-feira (24), ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ocorrência de "falhas" no monitoramento da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar desde agosto.

No início da semana, o ministro havia solicitado à Seape-DF um relatório detalhado sobre duas inspeções veiculares realizadas na casa do ex-presidente em 12 de setembro, um dia após sua condenação pelo STF por tentativa de golpe. As vistorias, que se concentraram nos automóveis que deixaram o local, ocorreram às 13h16 e às 16h22. Moraes exigiu esclarecimentos sobre os veículos, condutores e passageiros.

Detalhes das Falhas no Monitoramento

Ao determinar a prisão domiciliar de Bolsonaro, Moraes estabeleceu que todos os carros da residência e dos visitantes deveriam ser inspecionados pelos policiais penais responsáveis pela fiscalização. Contudo, o relatório da Seape-DF apontou algumas inconsistências:

  • 13h16: Dois seguranças do ex-presidente deixaram o imóvel em um veículo Jeep Compass, mas foram identificados no registro de entradas e saídas apenas como "pessoas", sem a menção de seus nomes.

  • 16h22: Sobre uma falha de identificação ocorrida neste horário, a justificativa é que o veículo saiu novamente da casa e não foi mencionado que apenas seguranças estavam a bordo. O documento também aponta que não foram feitas imagens da inspeção neste momento.

  • Os seguranças que saíram às 13h16 retornaram dez minutos depois com uma terceira pessoa, também identificada como um segurança.

O órgão penitenciário relatou que um agente precisou se dirigir à administração do Condomínio Solar de Brasília, onde Bolsonaro reside, para tentar obter as imagens. A Seape-DF informou que o condomínio não as disponibilizou imediatamente, alegando que consultaria seu setor jurídico antes de fornecê-las.

Apesar das irregularidades, a Seape-DF defendeu que as falhas de identificação não comprometeram o objetivo central da fiscalização:

"A ausência de identificação nominal nos eventos mencionados não comprometeu o objetivo principal da vistoria veicular, havendo apenas a não indicação dos passageiros e do condutor, os quais foram devidamente informados no relatório ora apresentado. Salienta-se que os membros da equipe de monitoramento informaram os motivos do erro material do relatório".