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Disputa para presidência em 2026 fica para trás e Tarcísio foca em se reeleger em São Paulo
Governador avalia que fragmentação da direita e dependência dos Bolsonaro inviabilizam candidatura nacional; Ratinho Jr. surge como alternativa no campo conservador
26/09/2025 13h15
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Tarcísio de Freitas - Reprodução: Mônica Andrade/Governo do Estado de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem expressado a aliados, em conversas privadas, que não tem a intenção de disputar a Presidência da República em 2026. Fontes próximas indicam que ele está convicto de que permanecerá fora da disputa federal, citando um panorama político marcado pela fragmentação da direita e pelo enfraquecimento da coesão no espectro conservador.

Na análise de Tarcísio, a conduta do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na articulação das sanções aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil ampliou a divisão entre os partidos de direita. Em sua visão, essa movimentação acabou beneficiando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que até junho enfrentava uma queda em sua aprovação popular e um forte desgaste político.

Foco Estratégico em São Paulo

Diante desse cenário, a tática de Tarcísio passa a ser a busca pela reeleição ao governo paulista em 2026. O chefe do Executivo estadual considera que entrar na corrida presidencial implicaria ter de renunciar ao cargo até abril daquele ano, conforme determina a legislação eleitoral, o que poderia prejudicar sua trajetória. Além da dispersão da direita, a cautela de não se tornar excessivamente dependente do apoio da família Bolsonaro para uma campanha nacional pesou em sua decisão de recuar.

Pessoas próximas ao governador indicam que ele também está levando em conta aspectos pessoais, como a necessidade de garantir a segurança de sua família e evitar expô-la a um ambiente de instabilidade política.

Desentendimentos com Eduardo Bolsonaro

O distanciamento entre Tarcísio e Eduardo Bolsonaro se acentuou nos últimos meses. No auge da imposição de tarifas pelos Estados Unidos, em julho, o governador participou de um debate virtual com o deputado e o youtuber Paulo Figueiredo. Na ocasião, Tarcísio alertou que as barreiras comerciais teriam impactos prejudiciais para a direita, dariam força a Lula e acabariam forçando Donald Trump a adotar uma postura mais pragmática devido à pressão do setor produtivo americano — uma previsão que se concretizou.

Apesar disso, Eduardo persistiu em suas críticas a Tarcísio e reiterou que será candidato ao Planalto em 2026, mesmo diante do risco de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Afiliacão Partidária e Sucessão no Campo Conservador

Outro ponto de definição é a permanência partidária. Apesar dos rumores, Tarcísio tem reafirmado que não pretende deixar o Republicanos para se filiar ao PL, como chegou a sugerir Valdemar Costa Neto, presidente da sigla. O governador mantém sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e deve visitá-lo em sua prisão domiciliar na próxima segunda-feira (29). Contudo, interlocutores destacam que o encontro não terá o pleito nacional como tema.

Com a retirada de Tarcísio do panorama presidencial, o nome do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), ganha destaque nos bastidores como uma possível alternativa do campo conservador. Ratinho tem construído alianças, solidificado seu grupo político e se aproximado de Gilberto Kassab, presidente do PSD, o que o posiciona como um potencial concorrente ao Planalto em 2026.