O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode se encontrar com o ex-presidente americano Donald Trump em breve, após um cumprimento informal na Assembleia Geral da ONU em Nova York semana passada. O planejamento desse diálogo está em curso, sendo cogitado um telefone, vídeo ou até um encontro presencial na Europa ou Ásia, aproveitando as viagens de Lula.
A possibilidade de uma reunião em Washington é vista como arriscada por analistas, devido ao histórico de Trump de transformar visitas à Casa Branca em um "espetáculo" de imprevisibilidade e potenciais constrangimentos públicos para líderes estrangeiros. Trump costuma conduzir reuniões no Salão Oval diante das câmeras, desviando do foco e, por vezes, lançando críticas inesperadas aos convidados.
O histórico recente de atritos entre Lula e Trump aumenta a apreensão. Trump já impôs sanções e tarifas ao Brasil em um contexto de apoio a Jair Bolsonaro e críticas a decisões internas brasileiras. O historiador Matthew Dallek adverte que um encontro "seria altamente arriscado", dada a tendência de Trump de "tentar humilhar" o que ele vê como antagonistas.
Casos como os dos presidentes da Ucrânia (Zelensky) e da África do Sul (Ramaphosa), que foram confrontados e constrangidos em público no Salão Oval, servem de alerta. No caso brasileiro, o professor Vitelio Brustolin traça paralelos, mencionando a influência de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, junto a Trump e as recentes sanções contra pessoas ligadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Apesar do alto risco de "hostilidade" e da necessidade de "bajulação" por parte do líder visitante, um encontro presencial pode trazer recompensas para o Brasil, como o destravamento de negociações econômicas. No entanto, a discussão política ligada à soberania e aos atritos passados é o "calcanhar de Aquiles" da relação, e nada sugere que uma reunião entre os dois será "amistosa".