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Manuela Dias diz que protagonista de “Vale Tudo” é Odete Roitman e papel de Taís Araújo perde força
O reconhecimento de grandes vilãs não pode custar o espaço das heroínas — especialmente quando são mulheres negras
29/09/2025 13h27
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Manuela Dias e Taís Araujo como Raquel - Reprodução: Globo/Fábio Rocha/João Cotta

Na sexta-feira passada (26), a roteirista Manuela Dias gerou controvérsia ao compartilhar uma imagem da antagonista Odete Roitman (Débora Bloch) de “Vale Tudo” como "protagonista". A declaração não passou despercebida: o público manifestou-se lembrando que a verdadeira heroína central da história sempre foi Raquel, atualmente interpretada por Taís Araujo.

O Debate sobre a Heroína e a Antagonista

É inquestionável a magnitude de Odete Roitman. A vilã é memorável, icônica, um dos maiores símbolos da ficção televisiva nacional. Ela possui, de fato, uma importância central na narrativa – contudo, esse fato nunca obscureceu que Raquel é a figura principal da trama. Na versão original da novela, mesmo com o sucesso estrondoso de Beatriz Segall, Regina Duarte jamais perdeu relevância como a protagonista. É justamente essa distorção que torna inaceitável o esvaziamento da Raquel de Taís Araujo na adaptação de 2025.

Não foi por acaso que a própria atriz levantou a questão em uma entrevista. Taís apenas expressou o que os telespectadores já vinham notando: a jornada de Raquel perdeu impacto, sobretudo após um giro dramático que a fez retornar à pobreza, algo inédito no enredo de origem. A atitude da criadora, portanto, parece reforçar essa diminuição de valor.

Um Padrão de Desvalorização

E essa situação não é isolada. Em “Amor de Mãe”, também escrita por Manuela Dias, a personagem de Taís – Vitória – teve um início como uma advogada bem-sucedida e independente, mas acabou sendo reduzida a uma trama de perda financeira e redução de sua importância. A artista já havia demonstrado insatisfação naquela época, enxergando nisso um comportamento recorrente e problemático.

A discussão não visa rebaixar Odete Roitman. Trata-se de compreender que reconhecer a força de uma antagonista não implica em anular a personagem principal. E quando a protagonista é encenada por uma atriz preta, esse silenciamento adquire implicações ainda mais graves, pois toca diretamente em temas de representatividade.

O público sabe – e se recorda – que Raquel é a verdadeira heroína de “Vale Tudo”. Se em 1988 isso não se constituiu um impedimento, é ilógico que em 2025, com todo o progresso nos debates sobre diversidade e relevância, Taís Araújo tenha sua figura enfraquecida na trama e até nas declarações da própria autora.