A Prefeitura de São Paulo vai fornecer sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças e adolescentes de 2 a 12 anos com diabetes tipo 1 atendidos pela rede pública. O projeto foi sancionado nesta segunda-feira (29) pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), em cerimônia no gabinete municipal.
O equipamento, implantado sob a pele, mede constantemente os níveis de glicose no sangue, eliminando a necessidade das frequentes picadas no dedo. O aparelho faz medições a cada cinco minutos, inclusive durante a madrugada, e emite alertas em caso de queda brusca de glicemia. Os resultados podem ser acompanhados em tempo real pelo celular dos pais ou responsáveis.
Para ter acesso ao dispositivo, será necessário estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico). O encaminhamento será feito pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Atualmente, a cidade conta com 479 unidades oferecendo acompanhamento multiprofissional por meio do Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg).
O vereador Thammy Miranda (PSD), autor do projeto, destacou a importância da medida: “Essa legislação não é apenas sobre diabetes, mas sobre o que essas crianças não vão mais deixar de fazer devido à doença. Hoje o prefeito está assinando a vida para elas.”
Famílias já atendidas pelo dispositivo relatam melhora significativa na rotina. Samina Sousa Chaves, da associação Comunidade DM1, disse que a mudança foi radical para o filho Lucas, de 5 anos. “Antes furávamos o dedinho dele 12 vezes por dia. Agora sabemos em tempo real se a glicemia está caindo e quanto de insulina aplicar. Isso dá qualidade e expectativa de vida.”
O Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de diabetes tipo 1 entre crianças e adolescentes, com 1,1 milhão de casos. A condição, de origem autoimune, compromete a produção de insulina pelo pâncreas e exige acompanhamento constante.
Segundo o secretário-adjunto da Saúde, Maurício Serpa, o monitoramento contínuo e o diagnóstico precoce são essenciais para reduzir complicações. Para o CEO da GT Diabetes, Paulo Bettio, a medida pode ter impacto nacional: “São Paulo dá um primeiro passo que pode inspirar outras cidades a ampliarem o acesso ao tratamento.”