O quantitativo de vítimas fatais por envenenamento por metanol subiu para cinco no estado de São Paulo, conforme declarou o secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, em conferência de imprensa nesta terça-feira, (30). Dentre todos os casos de óbito, há, até o momento, apenas uma comprovação de que o falecimento resultou da ingestão de bebida alcoólica modificada.
No cômputo geral, segundo Eleuses, São Paulo contabiliza 22 quadros envolvendo intoxicação por álcool metílico. Desse total, cinco falecimentos estão atestados e 15 registros permanecem sob apuração.
O chefe do Executivo estadual, Tarcísio de Freitas, também esteve presente na coletiva e afirmou que não existem "evidência nenhuma" da atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema de destilados adulterados com a substância tóxica.
Os primeiros episódios, que ocorreram entre o dia 1º e 25 do mês corrente, foram notificados ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) e encaminhados ao governo federal. O Ministério da Saúde, a Anvisa, a Vigilância Sanitária e as entidades de defesa do consumidor foram cientificados e seguem atuando para resolver o problema.
A principal hipótese é que a contaminação esteja ligada à falsificação de bebidas destiladas, como gim, uísque e vodca, comercializadas em bares e adegas. Em um comunicado oficial, o governo federal ressaltou que a cifra de envenenamentos pela substância pode ser superior ao número já reportado.
A adulteração dos produtos alcoólicos agrava a situação, pois, na perspectiva da saúde pública, pode gerar surtos epidêmicos com quadros clínicos graves e elevada taxa de mortalidade.
Como parte da investigação sobre os eventos de intoxicação, na segunda-feira, dia 29, a Polícia Civil confiscou 117 garrafas de bebidas alcoólicas em operações de fiscalização realizadas em três estabelecimentos situados no Jardim Paulista e na Mooca, em São Paulo.
Os recipientes serão encaminhados para análise pericial, e os resultados deverão auxiliar na identificação da procedência das adulterações, conforme informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP).
Conhecido também como álcool metílico, o metanol é um biocombustível altamente inflamável, que pode ser obtido através da destilação destrutiva de madeiras, processamento da cana-de-açúcar, ou de gases de origem fóssil.
Suas características químicas são análogas às do etanol, porém com um grau de toxicidade superior. Empregado em indústrias químicas como solvente, este composto é igualmente utilizado na manufatura de plásticos e para a produção de biodiesel e combustíveis.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel SP) emitiu um aviso para alertar o setor sobre os perigos do consumo e da venda de bebidas falsificadas. "A falsificação ocorre, sobretudo, em produtos de alto valor agregado, como whiskys, destilados premium e cachaças, e vem se intensificando nos últimos meses", informou a entidade.
"Os falsificadores utilizam garrafas e selos originais, o que torna quase impossível identificar a fraude apenas pela análise visual. Por isso, a atuação das autoridades precisa se concentrar em barrar a produção e a distribuição antes que esses produtos cheguem ao mercado", declarou o diretor, Gabriel Pinheiro.