O chefe do governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que não existem "evidência nenhuma" da participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no esquema de destilados adulterados com metanol, que causou intoxicação em mais de 20 indivíduos no estado. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, nesta terça-feira (30).
"Tem esse negócio em São Paulo, tudo que acontece é o PCC. Muito tem se especulado sobre a participação do crime organizado nessa adulteração. Só para deixar claro, não há evidência nenhuma de que haja crime organizado nisso. Os inquéritos apontam que as pessoas trabalhando nessas destilarias clandestinas não têm relação com o crime organizado nem entre si. São pessoas que fraudam rotineiramente bebidas e, como temos falado, é um problema estrutural", disse o governador.
A manifestação do líder paulista diverge da posição apresentada pelo governo federal em uma coletiva de imprensa mais cedo. Na ocasião, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou a instauração de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para apurar a fonte e o sistema de distribuição das bebidas modificadas com o álcool tóxico.
Lewandowski justificou a atuação da PF pela chance de que a ação criminosa pudesse transpor as divisas territoriais de São Paulo. Durante a conferência federal, também se mencionou que a polícia investiga uma possível conexão de associações criminosas no delito. "A investigação dirá se tem conexões com o crime organizado", sublinhou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O Executivo paulista também divulgou que irá interditar preventivamente todos os estabelecimentos onde houve consumo de destilados contaminados por metanol. Segundo o governador Tarcísio de Freitas, há atualmente 22 casos de envenenamento, com o seguinte detalhamento:
5 ocorrências são confirmadas de intoxicação por metanol;
17 ocorrências são suspeitas de intoxicação por metanol;
Há 1 óbito atestado por metanol;
E outras 4 fatalidades estão sob averiguação.
Adicionalmente, foi criado um canal específico para denúncias de bebidas alteradas no site do Procon-SP e será estabelecido um centro de gerenciamento de crise. Para rastrear a origem do produto, a Polícia Civil e a Secretaria da Fazenda irão confrontar as notas fiscais dos pontos de venda para chegar aos fornecedores.
"Vamos buscar descobrir quem comprou de quem, de onde está saindo essa bebida adulterada, quem são os fraudadores, a partir desse cruzamento de informações, saber se o problema está no distribuidor, no estabelecimento que está comprando o material sem a procedência correta, ou em outro elo da cadeia", complementou Tarcísio.