ALERTA DE GATILHO: o texto abaixo aborda tráfico humano, incluindo tráfico de mulheres, e contém conteúdo sensível. Se você tiver informações ou identificar anúncios suspeitos, denuncie pelo Disque 100 - canal oficial para proteção dos direitos humanos. Sua denúncia pode salvar vidas.
Vídeos de influenciadoras brasileiras circulam nas redes sociais oferecendo uma suposta “oportunidade imperdível” de trabalho na Rússia. A proposta, vendida como intercâmbio, inclui salário de até US$ 680 por mês (cerca de R$ 3.400), passagens aéreas pagas, moradia gratuita, seguro médico e até aulas de russo. Mas, na prática, as jovens acabam enviadas para fábricas de drones militares no Tartaristão, região estratégica envolvida diretamente na guerra contra a Ucrânia.
O programa se apresenta como “Alabuga Start”, direcionado a jovens da África, Ásia e América Latina. Porém, segundo investigações da Interpol, mais de 90% das participantes acabam exploradas em linhas de produção bélica, enfrentando jornadas exaustivas, vigilância constante, salários abaixo do prometido e até retenção de passaportes.
A ex-BBB Gizelly Bicalho foi uma das primeiras vozes a alertar sobre o caso:
Quando eu vi pela primeira vez essa publicidade, eu já achei, no mínimo, estranho; mas agora, com a investigação do Guga (Figueiredo), fiquei ainda mais apavorada, porque todos os sinais mostram que sim, é o pior. Se você viu esse tipo de publicidade, ou se você vê, eu quero te pedir para denunciar, porque isso é muito sério. Inúmeros influenciadores estão fazendo essa publicidade e não é publicidade. Isso é um crime.
Relatórios da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional apontam que o alvo principal são mulheres entre 18 e 22 anos, recrutadas por meio de campanhas agressivas no TikTok, Telegram e Facebook. Em 2024, serviços de inteligência da Ucrânia já haviam identificado participantes de 44 países no programa, que planeja abrigar até 41 mil pessoas em moradias construídas em Alabuga.
Enquanto autoridades russas negam irregularidades e falam em “campanha de desinformação do Ocidente”, países como África do Sul, Botsuana e Argentina já abriram investigações. No Brasil, o Itamaraty reforçou que casos de tráfico humano são prioridade da política consular e que o Plano Nacional de Combate ao Tráfico de Pessoas está em andamento com campanhas de conscientização.
Com a repercussão, algumas influenciadoras começaram a se retratar. MC Thammy, por exemplo, apagou o vídeo de divulgação e declarou: “Assim que surgiram acusações, devolvi o valor e acionei minha equipe jurídica”. Já Isabella Duarte, também citada, ainda não se pronunciou.