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6º dia de paralização do governo dos EUA ameaça demissões em massa
Líderes democratas não demonstraram nenhum sinal de que irão se submeter às táticas duras da Casa Branca
06/10/2025 12h03
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Vista do Capitólio, em Washington - Reprodução: REUTERS/Aaron Schwartz

A interrupção das atividades do governo norte-americano atingiu seu sexto dia nesta segunda-feira (6). O impasse persiste entre os congressistas do partido Democrata e os membros da legenda Republicana, ligada ao presidente Donald Trump, com a administração presidencial fazendo a ameaça de intensificar a pressão através da dispensa em larga escala de servidores públicos federais.

Tentativas de Solução e Obstáculos

A Câmara Alta, sob comando dos republicanos, está programada para novas deliberações acerca de medidas para custear as repartições da federação. Isso inclui uma proposta de lei temporária do partido Republicano, aprovada pela Câmara dos Representantes, que proveria o sustento das operações até 21 de novembro, e uma alternativa apresentada pelos democratas. Não há expectativa de que qualquer uma dessas iniciativas atinja os 60 votos necessários para o prosseguimento.

Retaliação e Fundos Congelados

Questionado na noite de domingo (5), sobre o início das demissões de servidores federais, Trump respondeu: "Está acontecendo agora mesmo". O presidente culpou os democratas pelo bloqueio, porém evitou dar detalhes sobre os planos de desligamento. O Gabinete da Presidência alertou que milhares de indivíduos poderiam ser despedidos caso a paralisação se prolongue.

O executivo do orçamento de Trump, Russell Vought, já bloqueou pelo menos US$28 bilhões em recursos para infraestrutura destinados aos estados de Nova York, Califórnia e Illinois — todos com populações majoritariamente democratas e críticas ao presidente.

Táticas e Reações Políticas

Trump e seus parceiros do partido Republicano também provocaram os democratas nas mídias sociais com vídeos falsificados (deepfake) que exploram clichês sobre mexicanos, com imagens que o vice-presidente JD Vance classificou como uma "piada".

Contudo, as lideranças democratas não deram sinais de que cederão às estratégias severas da Casa Branca, as quais geraram incômodo em alguns republicanos de centro, que temem que tal abordagem possa dificultar a solução do diferendo.

"O que vimos foi uma negociação por meio de vídeos deepfake, a Câmara cancelando votações e, é claro, o presidente Trump passando o dia de ontem no campo de golfe. Isso não é um comportamento responsável", disse o dirigente democrata da Câmara, Hakeem Jeffries, à atração "Meet the Press" da NBC.

Contexto Histórico

A suspensão parcial, a décima quinta desde 1981, igualou-se nesta segunda-feira à quarta mais extensa na história do país, alcançando a duração de seis dias de uma parada de 1995 que teve início após o então presidente Bill Clinton ter vetado uma proposta de gastos dos republicanos. A mais longa dessas interrupções durou 35 dias entre 2018 e 2019, durante a primeira gestão de Trump.