O decorador Edgar Moura Brasil, viúvo do autor Gilberto Braga, não poupou críticas ao remake de Vale Tudo, atualmente no ar. Segundo ele, a nova versão “não teve nenhum respeito pela obra original”. Em tom de desabafo, afirmou: “Pelo contrário, ela foi destruída”.
Na última semana, Edgar usou as redes sociais para direcionar duras palavras à autora da adaptação, Manuela Dias. Segundo o decorador, a roteirista “não teve lastro nem intimidade intelectual para fazer um remake da monta de Gilberto Braga”.
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Em conversa com a Folha de S.Paulo, Edgar contou que assiste apenas a alguns trechos da novela, mas acompanha a repercussão online. Ele lamenta que o maior questionamento da trama, se vale a pena ser honesto no Brasil, tenha se perdido na nova versão.
Gilberto era um profundo conhecedor do ser humano, um homem culto e de bom gosto. Jamais teria construído personagens tão tacanhos e incoerentes [...] A pior alteração foi a de Odete Roitman. Uma personagem tão rica se transformou em alguém inconsequente, que atira e tenta envenenar pessoas, praticamente uma serial killer ninfomaníaca.
Edgar ainda rebateu a justificativa de Manuela Dias, que disse ter buscado “humanizar” a vilã:
Acredito que ela não tenha ideia do que seja humanização. A Odete Roitman criada por Gilberto, Aguinaldo e Leonor era humana o suficiente dentro de sua maldade. Ela se preocupava com os filhos e com a família, jamais deixaria um filho morrer para esconder um crime do passado. Muito menos o deixaria viver em uma choupana no meio do mato. Ela teria recursos para enviá-lo à Suíça, ou a qualquer outro lugar de luxo, e tratá-lo com dignidade. Humanizar uma personagem não é emburrecê-la.