O grupo de trabalho emergencial criado pelo Governo de São Paulo com o intuito de coibir a falsificação e a alteração de produtos alcoólicos no território estadual já decretou a interdição de 11 locais suspeitos de comercializar destilados contaminados com metanol. Os alvos abrangem bares, restaurantes, adegas e pontos de distribuição.
A ingestão desses líquidos adulterados tem motivado hospitalizações em diversas cidades do país. Pelo menos 200 ocorrências estão sob investigação em todo o Brasil, segundo informações da Pasta da Saúde. Em São Paulo, onde há 158 casos em análise, três óbitos (dois na capital e um em São Bernardo do Campo) foram causados pela intoxicação por metanol, conforme laudos periciais.
Os onze pontos que tiveram suas atividades suspensas pelo gabinete de crise são:
Bebilar Distribuidora (Bela Vista, São Paulo);
BBR Supermercado (Bela Vista, São Paulo);
Beco do Espeto (Itaim Bibi, São Paulo);
Bar e Restaurante Ministrão (Jardins, São Paulo);
Torres Bar (Mooca, São Paulo);
Adega Fim de Semana (M'Boi Mirim, São Paulo);
Empório Santos (Cidade Dutra);
Adega do Lelê (Osasco);
Adega Los Hermanos (Osasco);
Villa Jardim (São Bernardo do Campo);
Brasil Excellance Comercial Distribuidora de Bebidas (Barueri).
Nessa última terça-feira (7), a administração estadual anunciou que um dos estabelecimentos da relação foi parcialmente liberado, mas segue proibido de vender destilados por determinação judicial. O nome do local não foi revelado, contudo, o Beco do Espeto divulgou em suas plataformas digitais, no último final de semana, o reinício de suas operações.
"Após uma investigação minuciosa, os órgãos competentes confirmaram que a acusação contra o Beco era infundada e, por essa razão, obtivemos uma decisão judicial que autorizou a reabertura do bar", comunicou o local em nota nas mídias sociais.
"A única condição imposta pela juíza é que, dada a natureza epidemiológica da intoxicação por metanol, nossas vendas de bebidas alcoólicas sejam interrompidas até que a situação social se estabilize e o Estado tenha convicção de que ninguém mais corre risco em SP", adicionou o Beco do Espeto no informe.
A distribuidora Bebilar, que também é responsável pelo Supermercado BBR, assegura que a suspensão das atividades se deu por exigências sanitárias, sem qualquer conexão com produtos sem documentação fiscal ou de origem ilícita.
"A empresa encontra-se totalmente fechada ao público e tem trabalhado intensamente para atender a todas as demandas de aprimoramento estrutural e de higiene determinadas", afirma o comunicado veiculado nas redes.
Segundo a Bebilar, a proibição de funcionamento resultou de desdobramentos de um caso de intoxicação supostamente provocado pelo consumo de uma caipirinha no Bar Ministrão (igualmente fechado), que recebe os artigos da distribuidora, como Velho Barreiro e Pinga 51.
"É importante ressaltar que não houve fornecimento de vodca ao mencionado estabelecimento", declarou a companhia. Ao se referir ao Velho Barreiro e à Pinga 51, a empresa afirma que ambos possuem "regularidade de compra e abastecimento".
O Ministrão utilizou as mídias sociais para afirmar que os etílicos são comprados de distribuidores oficiais, com nota fiscal e procedência assegurada, e informou que a equipe jurídica entraria em contato com fornecedores "para averiguar todos os detalhes".
O Torres Bar, situado na Mooca, declara cooperar com os órgãos de fiscalização competentes e garante que os produtos comercializados no local são adquiridos de distribuidores reconhecidos.
"Com 22 anos de trajetória na Mooca, construímos nossa credibilidade como um ambiente acolhedor, de grande camaradagem e de momentos agradáveis", publicou o bar nas plataformas digitais. "Jamais tivemos qualquer incidente ligado a este tipo de problema e permanecemos firmes em nosso compromisso com a segurança, a excelência e o respeito aos nossos clientes", acrescentou.
O Villa Jardim, em São Bernardo do Campo, informou que as bebidas vendidas no espaço são compradas lacradas e em sua condição original.
"Apesar de termos conhecimento de apenas uma narrativa na qual foi alegado o consumo de bebida alcoólica em nosso recinto e, subsequentemente, a pessoa passou mal, enfatizamos que o Villa Jardim zela rigorosamente pela qualidade dos artigos vendidos e dos serviços prestados", disse o bar em comunicado nas redes.
O Empório Santos menciona ter um pacto com a franqueza junto aos consumidores e que também presta auxílio às autoridades e órgãos responsáveis. "Reiteramos que não possuímos nenhum envolvimento - repito, nenhum envolvimento - com bebidas adulteradas", declarou o estabelecimento em nota.