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PF realiza nova etapa da operação que apura fraudes no INSS
Ação autorizada pelo STF cumpre 66 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal; esquema teria desviado bilhões de aposentadorias e pensões.
09/10/2025 11h55
Por: Natália Raquel
Foto: Reprodução/ Policia Federal

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 9, uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um amplo esquema de fraudes e descontos ilegais em aposentadorias e benefícios do INSS. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e estão sendo cumpridos em São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e no Distrito Federal.

Ao todo, são 66 mandados de busca e apreensão. De acordo com a PF, o objetivo é aprofundar as apurações e esclarecer crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, peculato e formação de organização criminosa.

Em São Paulo, onde se concentra a maior parte da operação, os agentes apreenderam carros de luxo, dinheiro em espécie, armas e equipamentos eletrônicos. Quatro veículos da marca Porsche foram recolhidos em endereços ligados aos investigados.

Segundo as investigações, o grupo utilizava associações e sindicatos de fachada para realizar descontos automáticos e irregulares nos contracheques de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem o conhecimento das vítimas.

Entre os alvos está o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI). O presidente da entidade, Milton Baptista de Souza Filho, é investigado, enquanto o vice-presidente, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não é alvo da operação.

Em nota, o sindicato afirmou ter sido surpreendido pela ação e negou qualquer envolvimento em irregularidades. “Reiteramos nosso absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em nossa administração. Comprovar-se-á a lisura e legalidade de nossa atuação”, diz o comunicado.

Na primeira fase da operação, realizada em setembro, foram presos o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e o empresário Maurício Camisotti, suspeitos de movimentar milhões em um esquema de desvio de recursos públicos.

A Controladoria-Geral da União (CGU) estima que o prejuízo aos cofres públicos entre 2019 e 2024 possa chegar a R$ 6,3 bilhões. A PF informou que as investigações continuam e novas diligências podem ocorrer nos próximos dias.