Notícias POLÍTICA
Lula manda recado a Trump: “Se ele não quiser comprar, a gente vai vender na China”
residente disse que o Brasil não quer brigar com os EUA e que ele e Trump estabeleceram relação que 'nunca deveria ter sido truncada'
10/10/2025 13h30
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Reprodução: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA / Estadão

O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a discorrer na manhã desta sexta-feira (10) sobre sua conversa recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfatizando o pragmatismo da política externa brasileira. O líder do Executivo declarou que, caso a Casa Branca demonstre relutância em negociar, o Brasil buscará escoar seus produtos em outras nações, citando a China como alternativa.

"A nossa orientação aqui, eu tinha o [Geraldo] Alckmin negociando, o [Fernando] Haddad, o Mauro Vieira, eu disse: 'a gente não vai ficar chorando leite derramado, não. Se ele não quiser comprar, a gente vai vender na China, vai vender na Ásia, em qualquer país do mundo", afirmou Lula durante um evento em São Paulo para anunciar o novo sistema de crédito habitacional.

O chefe de Estado ressaltou a importância de o país não depender de parceiros comerciais únicos. “Não dá para ficar dependendo de um país ou de outro”, declarou, complementando que “no mundo ninguém respeita quem não se respeita”. O presidente alertou contra qualquer submissão diplomática. “Se você acha que lamber botas ajuda, vai cair do cavalo. As pessoas respeitam quando elas percebem que você é uma autoridade moral, tem caráter”, disse.

Harmonização Política e Respeito Institucional

Sobre o contato virtual com o líder norte-americano, Lula avaliou que os dois restabeleceram uma "relação que nunca deveria ter sido truncada". Ele salientou que sua abordagem aos chefes de Estado é puramente institucional, e não ideológica.

"Porque eu nunca tratei o presidente de outro país ideologicamente. Quem tem que o tratar ideologicamente é o povo que o elegeu. Eu não, tenho que tratá-lo com respeito de alguém que foi eleito."

O presidente reforçou o interesse nacional em evitar confrontos diplomáticos. "O Brasil não tem interesse em brigar com os Estados Unidos. E se a gente brigar, o que a gente vai fazer? Então, é melhor não brigar. É melhor sentar na mesa, conversar um pouquinho", defendeu.

Lula ainda destacou a necessidade de os dois países projetarem harmonia ao invés de discórdia para o cenário internacional. "Precisamos passar harmonia, precisamos conversar. Não tem tema proibido para conversar comigo. Sou corintiano, mas tenho muito amigo palmeirense. Não tem nada mais fanático do que um palmeirense, mas eu o trato bem", brincou o presidente.

O contato com Trump, o primeiro direto desde um breve encontro em Nova York, ocorreu no início da semana.

Novo Sistema de Financiamento Habitacional em Foco

A viagem do presidente a São Paulo nesta sexta-feira teve como principal objetivo o anúncio da reforma no modelo de empréstimo para imóveis. A solenidade, realizada no Centro de Convenções Rebouças, contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, e os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil).

O novo esquema representa uma atualização na forma como os bancos captam recursos para financiar a compra de moradias, especialmente dentro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A iniciativa visa injetar mais dinheiro no financiamento habitacional, com foco em beneficiar operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), voltadas sobretudo para a classe média.

Atualmente, 65% dos depósitos em caderneta de poupança devem ser aplicados obrigatoriamente em crédito imobiliário. Com a mudança, embora essa obrigatoriedade e os depósitos compulsórios no Banco Central (BC) relacionados à poupança sejam eliminados gradualmente, o total dos recursos depositados passará a ser a referência para o montante que as instituições financeiras devem direcionar ao crédito de moradias, abrangendo tanto o SFH quanto o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).

As alterações também incluem a elevação do limite de preço para imóveis financiáveis pelo SFH, que salta de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. A implementação do novo método será faseada, iniciando neste ano e com vigência total prevista para janeiro de 2027.