Em coletiva de imprensa concedida na última quinta-feira(9), após o anúncio de sua aposentadoria antecipada do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso negou veementemente que sua decisão de deixar o cargo tenha sido motivada pelas sanções impostas pelo governo de Donald Trump.
Em julho, os Estados Unidos suspenderam os vistos de Barroso, de Alexandre de Moraes e de outros sete magistrados da Corte. A justificativa oficial para a medida era a alegação de que o Judiciário brasileiro estaria promovendo uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado.
Barroso reconheceu que a sanção não lhe era "indiferente", mas defendeu a atitude de encarar a situação com serenidade. O ministro mencionou seu longo histórico acadêmico nos EUA, onde cursou mestrado e pós-doutorado, e sua ligação com a Escola de Governo de Harvard.
"Não me é indiferente a sanção. Mas eu vivo a vida como ela vem. Se consertar isso, vou ficar muito feliz. E, se não consertar, a vida segue", declarou.
O magistrado fez questão de salientar que sua data de aposentadoria estava sendo calculada há 12 anos, tempo necessário para cumprir o ciclo que culmina na Presidência do STF. Barroso afirmou ter comunicado sua intenção ao presidente da República há cerca de dois anos e reforçou a independência da sua escolha.
"Não tem nenhuma relação com os EUA. Eu espero que isso se resolva. Acho que cumprimos bem nosso dever e não me é indiferente o tipo de sanção que recaiu sobre o Alexandre de Moraes e sobre a esposa dele, pelo contrário. Acho que foi um movimento errado baseado numa narrativa falsa que temos que continuar a desfazer", concluiu Barroso, reiterando as críticas à justificativa americana.