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Lula diz em artigo internacional que a fome é uma “escolha política”
Presidente critica desigualdade global e gastos militares e afirma que combate à fome deve caminhar junto com ações contra as mudanças climáticas
13/10/2025 13h05
Por: Natália Raquel
Lula presidente da República Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou nesta segunda-feira (13) um artigo de opinião em diversos veículos da imprensa internacional. No texto, o petista afirma que a fome é uma escolha política, resultado de “governos e sistemas econômicos que optaram por fechar os olhos para as desigualdades”. 

O presidente critica a concentração de renda mundial e os altos gastos militares das nações mais ricas, defendendo uma reforma tributária global que amplie a justiça social e cobre mais dos super-ricos. Lula cita como exemplo a proposta brasileira de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, medida que está em fase final de aprovação.

O texto também menciona a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta pelo Brasil, e celebra o fato de o país ter saído novamente do Mapa da Fome da ONU.

Crítica aos gastos militares e desigualdade global

Lula destacou que, em 2024, o mundo registrou o maior aumento em gastos militares desde o fim da Guerra Fria, somando cerca de US$ 2,7 trilhões, enquanto as nações ricas não cumpriram o compromisso de investir 0,7% do PIB em ações de desenvolvimento para países pobres.

“A existência da fome não é um fenômeno natural. É o resultado de escolhas políticas que beneficiam poucos e deixam milhões para trás”, escreveu o presidente.

Combate à fome e às mudanças climáticas

O artigo foi publicado a menos de um mês da COP30, que será sediada em Belém (PA). Lula relacionou o combate à fome ao enfrentamento das mudanças climáticas, destacando que as duas agendas devem caminhar juntas.

“Ao sediar a COP30 na Amazônia, o Brasil quer mostrar que o combate à mudança do clima e o combate à fome e à pobreza precisam andar juntos. Queremos adotar, em Belém, uma Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima”, afirmou o presidente.

O tema também foi reforçado por Lula durante reunião do Conselho de Campeões da Aliança contra a Fome e a Pobreza, realizada nesta segunda-feira, em Roma (Itália). O presidente disse que pretende pautar o assunto na COP30, reforçando que é hora de “colocar os pobres no orçamento”.

Brasil fora do Mapa da Fome

Lula celebrou avanços obtidos desde o início de seu governo. Segundo ele, 26,5 milhões de brasileiros deixaram a insegurança alimentar desde 2023, resultado de políticas de transferência de renda e de programas de alimentação escolar gratuita. “O Brasil ainda tem muito a avançar até garantir a plena segurança alimentar a toda a população, mas seus resultados confirmam que a ação do Estado é capaz de vencer o flagelo da fome”, escreveu.

Encerrando o texto, o presidente afirmou que o problema é reversível com vontade política e solidariedade entre as nações: “A humanidade, que criou o veneno da fome contra ela mesma, também é capaz de produzir o seu antídoto.”