Quase uma semana após passar por uma cirurgia para retirada de um tumor na tiroide, Everton Ribeiro relembrou os momentos de tensão que viveu ao descobrir a doença. Em entrevista exibida no Fantástico do último domingo (12), o meia do Bahia contou como reagiu ao receber o diagnóstico.
Foi assustador, né? No começo, eu nem falava essa palavra. Câncer. Para mim, é muito forte. A gente sabe que muitas pessoas sofrem, acabam perdendo a vida. Então, quando eu estava lá e recebi esse diagnóstico, foi um baque.
E continuou:
Fui para o quarto e acabei chorando sozinho. Depois, liguei para minha esposa para conversar com ela. E, a partir daí, buscar informação, quais procedimentos. Mas até chegar a esse momento foi um caminho longo.
O jogador contou que a notícia veio pouco antes da primeira final da Copa do Nordeste, em 3 de setembro, quando o Bahia enfrentou o Confiança.
Me deixaram à vontade se eu queria viajar ou não. Eu não queria viajar, queria chorar onde tinha que chorar. Mas eu conversei com a Marília (Nery, esposa), com os médicos e avisei que ia viajar. De um dia para o outro não ia mudar nada [...] Eles (os médicos) nos tranquilizaram. Mas, até chegar neles, a Marília foi muito importante. Ela soube me ajudar no momento mais difícil.
O alerta sobre o problema de saúde surgiu após exames de rotina feitos pelo departamento médico do Bahia. O resultado apresentou uma alteração hormonal, o que levou a novas avaliações.
Discreto, o casal manteve o diagnóstico em sigilo, dividindo a notícia apenas com amigos próximos e familiares. Marília, sua esposa há quase 19 anos, foi presença constante em todo o processo, inclusive nos dias mais difíceis.
Foi um choque. Ele ligou e começou falando que o resultado tinha chegado, e o tempo todo eu esperava ouvir um ‘não, tá tudo bem, foi só um susto’. E aí ele falou assim: ‘Linda, infelizmente, é maligno’. A gente não tem histórico na família. Então, a gente não tem referência nenhuma. Naquele momento, a gente estava completamente no escuro. E, assim que desliguei o telefone, falei: ‘Eu vou dar um jeito de resolver isso' [...] Ele é uma pessoa mais fechada e foi um momento de muita fragilidade que a gente viveu junto. Não foi fácil lidar com essa informação e viver esse momento. Mas isso aumentou a nossa parceria e hoje a gente pode dizer que a gente venceu.