A crise na Wepink, empresa de cosméticos da influenciadora Virginia Fonseca, se aprofunda. Enquanto a Justiça de Goiás determina a suspensão das vendas por lives e exige a melhoria urgente no atendimento, novos relatos de consumidores trazem à tona a decepção final: produtos de baixa qualidade, obtidos após uma verdadeira “guerra” no pós-venda.
A Wepink, que já acumulava mais de 90 mil reclamações no Reclame Aqui, é alvo de uma Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por práticas abusivas que incluem desde atrasos extremos na entrega até a dificuldade de reembolso. Os depoimentos de clientes nos canais Felipeh Campos, reforçam o cenário caótico, transformando a compra em uma experiência de frustração e impotência.
Do atraso épico ao produto ruim: As queixas dos consumidores, detalhadas em comentários nas redes sociais, formam um ciclo de problemas.
Logística e atendimento desesperadores: clientes relatam a espera de 33 dias por um pedido e a ausência total de comunicação: “Tentei contato e nunca consegui.” A sensação de impotência é recorrente, especialmente ao tentar cancelar ou pedir reembolso, muitas vezes sem sucesso.
O calvário do reembolso: a promessa de compra muitas vezes se encerra sem o produto ou o dinheiro. “Comprei um body splash e nunca recebi nem o produto nem o dinheiro de volta”, relata um cliente, evidenciando a resistência da empresa em devolver valores, prática citada na ação do MPGO.
Qualidade questionável e pós-venda ineficaz: além dos problemas de entrega, a qualidade dos cosméticos é contestada. “O perfume tem uma péssima fixação.” Outro cliente, que recebeu um “perfume Liberté com válvula com defeito”, descreve a jornada frustrada: ser encaminhado ao Reclame Aqui, depois a um e-mail que leva a um WhatsApp onde “ninguém te atende”.
O ponto mais contundente é a percepção de que todo o esforço para receber o produto é em vão. Um novo relato resume: “Comprei uma única vez da Wepink e nunca mais. Produto ruim, e pra receber tive que brigar muito.”
O marketing sob suspeita
A crise da Wepink também lança luz sobre o modelo de venda baseado na influência. A crítica à fixação dos perfumes é associada diretamente às lives de Virginia Fonseca. “Só gente muito inocente para comprar perfume da Virgínia. Ela passa perfume que nem louca, um perfume bom a gente passa pouco. Eu sempre achei que os perfumes dela seriam iguais aos de vendedor de rua”, escreveu uma consumidora.
Medidas judiciais
Diante do volume de queixas, a Justiça determinou que a Wepink suspenda suas lives de vendas e implemente melhorias urgentes, como a criação de um canal de atendimento eficaz e a resolução de pedidos de reembolso em até 15 dias, sob pena de multa diária. A empresa e seus sócios, incluindo Virginia Fonseca, ainda terão que responder às acusações formais do MPGO, que pede uma indenização coletiva de R$ 5 milhões por danos morais, em um caso que se tornou o maior símbolo da crise de credibilidade no live commerce de influenciadores no Brasil.