O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), primogênito do ex-chefe de Estado, Jair Bolsonaro (PL), considera que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deve chancelar o pedido de comparecimento de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar de Frei Chico não ser alvo de apurações da Polícia Federal, o parlamentar fluminense sustenta que o colegiado deve tomar seu depoimento, uma vez que ele ocupa a vice-presidência do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), agremiação envolvida no esquema.
Na realidade, a bancada de oposição pleiteia a audiência de Frei Chico, também, como um meio de fragilizar a imagem do presidente Lula e da atual administração, expondo um familiar próximo aos trabalhos investigativos da CPMI.
"Vamos convocar este anjinho…", declarou Flávio em tom de sarcasmo.
"De acordo com a Polícia Federal, o Sindnapi, que tem o irmão do presidente como vice-presidente, foi a instituição que mais subtraiu recursos de beneficiários. Em um período de seis anos, movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão", ressaltou o senador, fundamentando a necessidade de convocação.
O Sindnapi estava entre as organizações encarregadas de registrar aposentados junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e efetuar retenções automáticas nos pagamentos de aposentadoria. Conforme os inquéritos, o sindicato embolsou R$ 389 milhões por meio dessas deduções, entre os anos de 2021 e 2025.
A representação legal do Sindnapi, à época, negou qualquer irregularidade nas cobranças sobre as aposentadorias e expressou "absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados".