Notícias Separação anunciada!
Nova organização reúne gays, lésbicas e bissexuais e rompe com o movimento LGBTQ+
Formada por grupos de 18 países, nova organização afirma que o movimento LGBTQ+ se afastou das pautas voltadas à orientação sexual e perdeu foco nas demandas de gays, lésbicas e bissexuais.
20/10/2025 11h45
Por: Natália Raquel
Foto: Reprodução/Instagram

Uma nova entidade chamada LGB International, formada por organizações de lésbicas, gays e bissexuais de 18 países, anunciou no último sábado (20) sua separação formal do movimento LGBTQ+. A decisão, considerada uma das mais controversas no ativismo contemporâneo por direitos civis, reacende antigas tensões internas sobre os rumos e prioridades da luta por igualdade.

 

Segundo o manifesto de fundação, o grupo afirma que o movimento LGBTQ+ tem concentrado esforços nas pautas de identidade de gênero, deixando em segundo plano as questões relacionadas à orientação sexual como a descriminalização da homossexualidade, ainda vigente em 64 países.

“Nós não rejeitamos a existência de pessoas trans, mas acreditamos que os direitos de lésbicas, gays e bissexuais precisam de um espaço específico de defesa. Hoje, esse espaço foi diluído em um debate mais amplo, que deixou para trás questões urgentes e globais”, declarou um dos porta-vozes da coalizão.

A LGB International diz ter como objetivo “retomar o foco” em pautas ligadas diretamente à sexualidade, como o combate à violência contra pessoas LGB e a promoção de políticas públicas voltadas à igualdade de direitos civis.

Entre os temas centrais do manifesto estão críticas à transição de gênero em adolescentes e à inclusão de mulheres trans em espaços destinados a lésbicas. Os membros da organização alegam que essas práticas têm gerado conflitos entre identidade de gênero e orientação sexual, e pedem um debate mais amplo dentro do campo progressista.

A separação, no entanto, provocou forte reação de grupos LGBTQ+ que classificaram a iniciativa como divisiva e excludente. Entidades pró-direitos trans afirmaram que a fragmentação interna “enfraquece a luta coletiva” contra o preconceito e a discriminação.

O surgimento da LGB International ocorre em um contexto de redefinição global das agendas de direitos humanos, em que o debate sobre identidade, inclusão e representatividade se tornou mais complexo  e, cada vez mais, um campo de disputa também dentro dos próprios movimentos sociais.