Notícias Em defesa de Maduro?
Lula clama por paz e critica intervenções dos EUA na América Latina: “Somos um continente livre”
Presidente brasileiro voltou a condenar interferências externas na região e reforçou que o povo venezuelano deve decidir o próprio destino; entenda
20/10/2025 15h09
Por: Mateus Pereira
Imagens: Fotos Públicas e redes sociais

Em meio ao agravamento da crise entre Estados Unidos e Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente as “intervenções estrangeiras” na América Latina. A fala ocorreu durante a cerimônia de entrega das cartas credenciais de embaixadores, realizada nesta segunda-feira (20) no Palácio Itamaraty, em Brasília.

Lula destacou que manter o continente livre de conflitos é uma das principais metas do governo.

Na América Latina e Caribe, também vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade. Manter a região como zona de paz é a nossa prioridade. Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar.

A declaração ocorre em meio às tensões diplomáticas após Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, autorizar operações secretas e letais da CIA em território venezuelano, sob o argumento de combater o narcotráfico. A medida ampliou a instabilidade política na região e reacendeu críticas de governos latino-americanos sobre o papel de Washington em políticas externas consideradas intervencionistas.

Na última quinta-feira (16), Lula já havia defendido publicamente o governo de Nicolás Maduro e o direito de autodeterminação dos povos latino-americanos. Sem citar Trump diretamente, o líder petista afirmou:

Todo mundo diz que a gente vai transformar o Brasil na Venezuela, e o Brasil nunca vai ser a Venezuela, e a Venezuela nunca vai ser o Brasil, cada um será ele (próprio). O que nós defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino, e não é nenhum presidente de outro país que tem de dar palpite de como vai ser a Venezuela ou vai ser Cuba.

Durante o evento no Itamaraty, Lula também defendeu o fortalecimento do multilateralismo e a importância de preservar os valores democráticos e os direitos humanos diante do avanço de políticas autoritárias em diversas partes do mundo.

O presidente encerrou a cerimônia entregando as credenciais de 28 novos embaixadores, documento que oficializa a atuação diplomática dos representantes estrangeiros no Brasil.