O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e o Banco Central da Argentina formalizaram nesta segunda-feira (20) um acordo de estabilização cambial no valor de US$ 20 bilhões.
A iniciativa, que já havia sido sinalizada na semana passada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, prevê uma intervenção direta do governo dos EUA na compra de pesos argentinos. Agora, os termos da parceria foram oficializados e comunicados publicamente.
Segundo o Banco Central da Argentina, o objetivo do acordo é “contribuir para a estabilidade macroeconômica do país, preservar a estabilidade de preços e promover um crescimento econômico sustentável”.
Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina já havia informado que o principal tema da agenda bilateral seria a criação de uma “linha de swap”, mecanismo que permite a troca temporária de moedas entre bancos centrais para fornecer liquidez em dólares e estabilizar o câmbio.
Um “swap de blue chips” é uma operação financeira internacional na qual investidores compram ativos locais e os vendem no exterior para obter moedas fortes, como o dólar, a uma taxa de câmbio mais vantajosa do que a oficial.
O documento divulgado pelo BC argentino estabelece as bases para operações bilaterais desse tipo, o que permitirá ao país ampliar seus instrumentos de política monetária e cambial.
Ainda de acordo com o comunicado conjunto entre o BC da Argentina e o Tesouro dos EUA, o acordo “faz parte de uma estratégia integral que reforça a política monetária argentina e fortalece a capacidade do Banco Central para responder a condições que possam derivar em episódios de volatilidade nos mercados cambial e de capitais”.
Na frente política, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu Javier Milei na Casa Branca na semana passada e reafirmou apoio ao governo argentino. O republicano afirmou que pretende ajudar Milei a estabilizar a economia, mas fez uma ressalva
"Se ele perder (as eleições), não seremos generosos com a Argentina. Nossos acordos estão sujeitos a quem vencer a eleição. Porque, com um socialista, fazer investimentos é muito diferente.
Milei, que enfrentará eleições legislativas no próximo fim de semana, vem sofrendo pressão da oposição e de escândalos políticos. Em Buenos Aires, nas eleições de setembro, a coalizão peronista Força Nacional venceu a disputa com cerca de 41%, contra 34% do partido La Libertad Avanza, do atual presidente.