O presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, decidiu mexer no tabuleiro político e convidou o ex-presidente Michel Temer para se filiar ao partido e disputar a Presidência da República em 2026. A iniciativa, vista como ousada, causou incômodo imediato no MDB, legenda da qual Temer faz parte desde 1981.
Segundo análise do Metrópoles, a justificativa dos tucanos é que o MDB está dividido internamente e dificilmente daria legenda ao ex-presidente para uma candidatura própria. O partido, no entanto, reagiu com ironia. Aliados de Temer classificaram a investida do PSDB como uma “fofoquinha política bem sem vergonha”, partindo de uma ala tucana que tenta, segundo eles, “tumultuar o projeto nacional” da sigla.
Fontes ligadas ao MDB afirmam que o próprio Temer já foi sondado internamente sobre uma possível candidatura e teria dito que só aceitaria concorrer caso houvesse união de partidos como PL, União Brasil, PP, PSDB e Republicanos em torno de seu nome, algo visto como improvável nos bastidores de Brasília.
No centro desse impasse, o MDB se divide entre apoiar uma reeleição de Lula ou apostar em um nome alternativo. Enquanto isso, o PSDB tenta se reposicionar no cenário político nacional e vê em Temer uma figura capaz de atrair o eleitorado de centro.
O movimento tucano também coincide com a tentativa do partido de se reorganizar internamente. O retorno de Aécio Neves à presidência da legenda, previsto para novembro, e a candidatura de Marconi Perillo ao governo de Goiás fazem parte da nova estratégia.
Curiosamente, o principal adversário de Perillo na disputa goiana será Daniel Vilela, do MDB - o mesmo partido que o PSDB tenta agora tirar Michel Temer.