Alçada ao papel central na telenovela das 21h da Globo, "Por amor", quando contava com pouco mais de vinte anos de idade, essa experiência gerou múltiplas sensações em Gabriela Duarte. A atriz, que atualmente está com 51 anos, rememora ter enfrentado dificuldades para elaborar as emoções complexas da sua personagem, além de revelar ter padecido com a rejeição do público. Some a isso o fato de compartilhar o ambiente profissional com a própria mãe, Regina Duarte.
"Nessa época da novela, a gente voltou a morar juntos. Conviviamos muito e a gente brigava. A gente tinha uns quebra-pau às vezes. Mas tudo se resolvia dali a pouco", relembrou Gabriela, aos risos, no canal do Youtube "Boa palavra".
Regina Duarte, que também participava da entrevista, gargalhou e prosseguiu: "Era muito em função de: 'Vamos, Gabi, a gente tem que dar bom exemplo, a gente tem que respeitar a equipe que está lá, todo mundo acordou cedo, não vamos nos atrasar... Não era? Era mais ou menos isso", explicou.
E, sem dúvida, os ensinamentos obtidos foram muito mais significativos.
"Eu tinha com minha mãe um olhar de admiração, de querer acertar, por estar perto de uma pessoa com tanta experiência. O fato de sermos mãe e filha amenizava o desconforto, ou melhor, a insegurança, que eu continuava tendo com outros atores que eu admirava. Eu sabia que se eu fizesse alguma coisa gritante, minha mãe iria me falar. A gente não chegou a combinar, mas era como acontecia. E isso foi muito gostoso", continuou Gabriela.
A artista dedicou-se a refletir, inclusive, sobre o vínculo que mantém hoje com sua descendente, Manuela, de 19 anos.
"Fico pensando na minha relação com a minha filha hoje, como seria. Porque você está ali no trabalho, mas está ensinando também algo para aquela pessoa que está em construção, que não está pronta. A vida é um aprendizado".
E se a então jovem intérprete precisava lidar com incertezas, a mãe carinhosa estava, de fato, plena de orgulho.
"Eu ficava orgulhosa mesmo. O hate (os ataques) que ela recebia era sinal de que ela estava atuando como deveria. Eu dizia: 'Deixa para lá, o importante é o personagem. Vai em frente. Quanto mais você puder ficar odiosa, melhor para o produto'. Às vezes, Gabriela ficava triste, dizia: 'Estou com muita raiva de mim'. E eu a consolava: 'A proposta é essa, Gabi'", rememorou Regina.