Dias antes de uma grande intervenção policial no Rio de Janeiro, direcionada ao grupo criminoso Comando Vermelho, que resultou em mais de uma centena de óbitos, o então chefe de Estado, Luís Inácio Lula da Silva (PT), manifestou-se publicamente, durante uma coletiva de imprensa, acerca da questão do narcotráfico.
O presidente expressou o ponto de vista de que "toda vez que a gente fala do combate às drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também".
Apesar de a declaração não ter conexão direta com a operação, que ainda estava por ocorrer, o trecho foi recuperado por figuras políticas opositoras ao Partido dos Trabalhadores.
"Não dá mais para tratar criminoso como vítima. O criminoso não é vítima, o criminoso faz vítima", declarou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), através de suas plataformas sociais. Tarcísio é considerado um possível candidato de oposição a Lula no pleito de 2026.
O presidente corrigiu sua própria fala, admitindo em seu perfil no X (antigo Twitter) que "fez uma frase mal colocada". No entanto, o dano político já estava consolidado.
Ao refletir sobre a ação no Rio e o posicionamento presidencial, Renato Janine Ribeiro, docente de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP) e ex-ministro da Educação no governo de Dilma Rousseff (PT), criticou a ausência de um plano de segurança pública sério por parte da ala progressista, que, segundo ele, deveria conciliar o respeito aos direitos humanos com uma repressão efetiva à criminalidade. Ele prevê que a frase de Lula será, inegavelmente, usada por seus antagonistas nas próximas disputas eleitorais.