Em um encontro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dedicada ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), realizado nessa segunda-feira (3), o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), responsável pela relatoria do colegiado, fez um comentário sobre a gigantesca operação das forças policiais nos aglomerados da Penha e do Alemão, na capital fluminense, que culminou em 121 óbitos.
O legislador elogiou o desempenho dos agentes de segurança e sugeriu que indivíduos envolvidos em corrupção deveriam ser submetidos ao mesmo tipo de rigor repressivo aplicado contra infratores com armamentos.
Gaspar declarou que “bandido que não respeita a polícia, é chumbo mesmo”, e enfatizou que, em sua perspectiva, o Brasil enfrenta uma assimetria na forma como combate a criminalidade. Conforme o parlamentar, enquanto os infratores comuns são confrontados com medidas severas, políticos corruptos que detêm poder se beneficiam de amparo legal. “Eu tenho pena da polícia não ter a mesma autorização para fazer isso nos corruptos com poder. Chega aqui, habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse Brasil não pode continuar dividido dessa forma”, lamentou.
O deputado salientou que a sociedade brasileira anseia por “justiça igualitária” e advogou por sanções mais duras para os delitos de desvio de dinheiro público. “O povo quer justiça igualitária. Ou seja, para corrupto, forca. Para corrupto, o mesmo tratamento de bandido perigoso”, asseverou.
A manifestação ocorreu durante o depoimento de Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade sob investigação da CPMI. A organização é suspeita de efetuar descontos irregulares em benefícios de aposentadoria de milhares de segurados do INSS, tendo movimentado a quantia de R$ 221 milhões através dessas cobranças.