Os nova-iorquinos votam nesta terça-feira (4) para escolher o novo prefeito da maior cidade dos Estados Unidos, e a disputa ganhou contornos nacionais. O motivo é a ascensão do democrata Zohran Mamdani, de 34 anos, muçulmano e autodeclarado socialista, que virou o principal alvo de Donald Trump nas últimas semanas. O presidente o chamou de “comunista” e ameaçou cortar verbas federais caso ele seja eleito.
A eleição ocorre em meio à maior paralisação do governo federal na história do país, já com 34 dias de duração, e virou um teste para o Partido Democrata, que tenta se renovar diante do avanço da ala mais progressista. Mamdani aparece com 43% das intenções de voto, segundo o Emerson College, à frente de Andrew Cuomo (28%) e do republicano Curtis Sliwa (10%).
Nascido em Uganda, filho de mãe indiana e pai ugandês, Mamdani se mudou para Nova York aos sete anos. Cresceu no Queens, fala seis idiomas e começou a carreira política em 2021, quando se elegeu deputado estadual. Antes disso, trabalhou como artista de hip-hop e conselheiro habitacional.
Com propostas que incluem congelar aluguéis, transporte público gratuito e creches universais, o democrata conquistou apoio entre jovens e moradores de baixa renda. Ele faz parte da ala socialista do partido e tem apoio de influenciadores e artistas nova-iorquinos.
Na reta final da campanha, Donald Trump intensificou os ataques. Em discurso no domingo (2/11), o presidente o chamou de “comunista” e ironizou a aparência do adversário: “Sou muito mais bonito que ele, não?”. No dia seguinte, Trump pediu abertamente que eleitores votem em Andrew Cuomo para impedir a vitória de Mamdani.
Em uma publicação no Truth Social, o republicano ameaçou punir Nova York caso o democrata vença. “Se o candidato comunista Zohran Mamdani ganhar, é improvável que eu envie fundos federais além do mínimo exigido”, escreveu. “Essa cidade, que um dia foi grandiosa, não tem chance de sobrevivência com um comunista no poder.”
Mamdani respondeu minutos depois, provocando Cuomo e Trump. “Andrew Cuomo é o fantoche de Trump nesta corrida. Agora, virou também seu papagaio. Esperávamos ouvir essas palavras do presidente, não de um ex-governador”, rebateu o democrata.
Enquanto conquista o apoio dos eleitores preocupados com o custo de vida, Mamdani enfrenta resistência de empresários e democratas moderados. Ele tenta equilibrar pautas sociais e segurança pública, defendendo a criação de departamentos comunitários e o fortalecimento da saúde mental no enfrentamento de crises urbanas.
A eleição é vista como um termômetro nacional. Com Trump em baixa — sua aprovação está em 37%, o menor índice do segundo mandato —, o resultado em Nova York poderá indicar a força da nova geração democrata. Uma eventual vitória de Mamdani marcaria uma guinada histórica na política da cidade e uma mensagem direta ao governo federal.