Apesar de propagar a intenção de concorrer à continuidade do mandato em 2026, o Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), permanece sendo visto por figuras políticas de destaque como um potencial concorrente de Lula na disputa pela Presidência da República. De acordo com essa linha de raciocínio, se o ex-presidente Jair Bolsonaro optar por designá-lo como seu sucessor, o governador aceitaria renunciar ao comando do estado para buscar o Palácio do Planalto.
Essa escolha, contudo, seria complexa. Pesquisas de opinião indicam que Tarcísio desfruta de altíssimos índices de aprovação, com a permanência no Palácio dos Bandeirantes sendo considerada praticamente certa. Em contrapartida, Lula demonstra uma posição superior nas sondagens relativas à disputa pelo cargo máximo do país.
Em diálogos particulares, Tarcísio já reconheceu o reposicionamento do líder do Partido dos Trabalhadores e confessou ser arriscado engajar-se em um embate direto, preferindo manter-se na administração estadual. A situação pode ser alterada, todavia, assim que Bolsonaro anunciar seu ungido — um evento cuja data é desconhecida.
A incerteza acerca do destino do governador paulista também movimenta as estratégias da ala opositora. Do lado da esquerda, possíveis postulantes aguardam maior clareza sobre o panorama em São Paulo. Um elemento crucial nesse cenário é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).
Haddad enfrentou Tarcísio em 2022, saindo derrotado por uma diferença de cerca de 2,5 milhões de votos. Embora Haddad não tenha conquistado o governo e Bolsonaro tenha triunfado no estado, o apoio do eleitorado paulista foi considerado determinante para a apertada vitória do presidente e seu terceiro período de governo.
Em razão disso, o ministro da área econômica é alvo de pressão para se candidatar no próximo pleito. O ex-ministro José Dirceu, um influente articulador nos bastidores do PT, já comunicou a Haddad que ele deverá concorrer a alguma função em São Paulo — seja a chefia do governo ou uma vaga no Senado.
“O partido não tem condições de abrir mão de um quadro como você [Haddad]”, declarou o ex-chefe da Casa Civil. Pessoas próximas ao ministro, entretanto, sugerem que ele evite o “sacrifício” de uma disputa contra Tarcísio, focando em uma vaga no Senado, onde o Partido dos Trabalhadores busca fortalecer sua bancada a partir de 2027.
Uma possibilidade aventada seria o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que já governara o estado por quatro mandatos. Uma pesquisa da Real Time/Big Data, divulgada no dia 6 de novembro, coloca Alckmin como o principal desafiante do atual mandatário — Tarcísio acumula 47% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Alckmin. Em um cenário sem a presença de Tarcísio, o vice aparece empatado com o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB) — com 31% e 30%, respectivamente.
Alckmin, contudo, demonstra relutância em buscar novos horizontes e descarta a hipótese de concorrer novamente ao governo paulista — ele prefere manter-se como vice na chapa do atual presidente.
Uma terceira alternativa é o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), que já teve seu nome lançado como pré-candidato ao governo de São Paulo. Ele registra 16% das intenções de voto contra Tarcísio, que atinge 52% nesse quadro. Em conversas privadas, o ministro assegura que o governador nunca participou de um pleito “para valer” e promete “ir para cima” dele. Apesar disso, França já reconheceu estar consciente da dificuldade e afirmou que se mantém na corrida mesmo diante do inegável favoritismo de Tarcísio.