O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da Cúpula do Clima de Belém (6 e 7/11), evento preparatório para a COP30 (10 a 21/11), que reunirá delegações de 143 países na capital paraense. A COP30 é vista como a principal aposta diplomática do governo Lula, visando projetar o Brasil como líder climático global e retomar o protagonismo internacional através do multilateralismo, após um período de retração.
Liderança e Projeção Internacional: Lula busca posicionar o Brasil como formulador de regras internacionais sobre o clima, aproveitando a lacuna de liderança deixada pela União Europeia (devido ao conflito na Ucrânia).
Multilateralismo vs. Isolacionismo: A aposta do Brasil no multilateralismo enfrenta um revés com a eleição de Donald Trump nos EUA, que defende políticas contra o multilateralismo e o Acordo de Paris.
Contradição Doméstica: Apesar de avanços no combate ao desmatamento (menor taxa desde 2017), a licença para pesquisa de petróleo na Foz do Amazonas gera críticas de ambientalistas e especialistas, comprometendo a legitimidade do Brasil na pauta de transição energética.
O sucesso da conferência depende da superação de três grandes desafios:
Financiamento Climático: O principal impasse é entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre o volume de recursos (os países mais pobres pedem US$ 1,3 trilhão anuais até 2035). Um "mapa do caminho" para o financiamento, propondo medidas como tributação de super-ricos, foi entregue, mas corre o risco de ser considerado vago ou muito assertivo pelos lados em conflito. O Brasil lançará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com expectativa de arrecadar US$ 125 bilhões a longo prazo.
Metas Nacionais (NDCs): Apenas 64 dos 198 países haviam apresentado suas novas metas de redução de emissões (NDCs) até o evento. As metas apresentadas, incluindo a do Brasil (53% de redução até 2030), ainda são insuficientes para limitar o aquecimento global a 1,5ºC.
Transição Energética/Petróleo: As discussões sobre a redução no uso de combustíveis fósseis devem gerar tensão. A decisão do Brasil de expandir a pesquisa de petróleo na Foz do Amazonas, em contramão com a ciência, retira sua legitimidade para liderar uma discussão firme sobre a transição energética.
Em suma, a COP30 é vista como um momento crucial para o Brasil exercer sua influência diplomática, mas o país terá que contornar complexos nós de financiamento, metas insuficientes e a contradição de sua política de exploração de petróleo.