O falecimento trágico de Paulo Frateschi, antigo membro da Câmara Federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), impactou profundamente o cenário político e trouxe à tona memórias de uma existência dedicada à militância, fidelidade a Lula e a perdas pessoais severas. Aos 70 anos, o ex-parlamentar foi golpeado por facadas em sua residência, na capital paulista, durante um episódio de surto de seu filho, que foi detido logo após o ocorrido.
Frateschi figura entre os nomes mais influentes da fase inicial do PT em São Paulo. Ele participou ativamente da fundação dos alicerces do partido, ao lado de personalidades como Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu e Marta Suplicy. No período da redemocratização, foi eleito deputado federal e notabilizou-se pela defesa dos direitos da sociedade e da população trabalhadora.
Além do cargo eletivo, desempenhou funções estratégicas dentro da legenda. Foi presidente da seção estadual do PT em São Paulo e chegou a exercer atribuições de coordenação em políticas públicas voltadas para a juventude e a participação popular. Igualmente, colaborou na formação política de novos ativistas e em iniciativas focadas nas áreas periféricas da metrópole.
Frateschi cultivava um elo estreito com Lula, tanto no âmbito político quanto na esfera particular. O ex-deputado estava sempre presente em campanhas e eventos do partido e participou de momentos cruciais da história petista.
Entretanto, sua trajetória também foi marcada por infortúnios familiares. Em 2002, perdeu o filho Pedro, com apenas 7 anos, em um acidente veicular na rodovia Carvalho Pinto. Um ano depois, o filho Júlio, de 16 anos, também faleceu em um acidente automobilístico na rodovia Rio-Santos. Na ocasião, o velório do adolescente contou com a presença de Lula, então presidente da República, e de ministros como Antonio Palocci e José Dirceu.
Após deixar a vida pública, Frateschi dedicou-se à família e a atividades sociais. Amigos relatam que ele manteve o mesmo perfil reservado e engajado, sem se desconectar das causas que sempre apoiou.
Nessa quinta-feira (6), contudo, a vida do ex-deputado foi interrompida de maneira violenta. Conforme a Polícia Militar, ele foi esfaqueado por seu filho durante uma crise. A esposa, Iolanda Maux, também foi ferida, mas conseguiu sobreviver. O incidente está sob investigação da Polícia Civil de São Paulo.