O ator brasileiro Haysam Ali realizou um protesto performático em Nova York, vestindo-se de drag queen para chamar atenção ao possível retrocesso nos direitos da comunidade LGBTQIA+, após a Suprema Corte dos Estados Unidos anunciar que se reunirá em 7 de novembro para decidir se aceitará um recurso que pede a anulação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Revoltado com o cenário, Haysam, que vem conciliando diferentes trabalhos nos Estados Unidos, decidiu transformar a data em ato político. No ensaio, ele aparece caracterizado como Rhamona, sua persona drag, e também como um homem gay, simbolizando a pluralidade e a liberdade de ser quem se é. A iniciativa foi feita na última semana usando como gancho o Halloween.
“Em outros anos, eu já me fantasiei de monstros e vilões, mas neste Halloween quis fazer diferente. Decidi me montar de drag, não como brincadeira, mas como ato de expressão e protesto. O Halloween sempre falou sobre o medo, e hoje o medo é real: medo de retrocessos, de ver direitos e liberdades sendo questionados. A Rhamona, pra mim, representa coragem e liberdade. Usei essa linguagem pra lembrar que o verdadeiro terror não está nas fantasias, mas nas tentativas de apagar o que já conquistamos”.
Para Haysam, a performance é também um lembrete de que as conquistas da comunidade LGBTQIA+ são fruto de décadas de luta e não podem ser ameaçadas. “A gente não pode retroceder no tempo! Depois de tantos anos de luta, de tantas pessoas que sacrificaram as suas vidas para que nossa comunidade tivesse respeito, espaço e igualdade, não dá pra permitir que isso seja colocado em risco”, destaca.
Além de discutir os retrocessos nos direitos civis, o ator chama atenção para um problema global ainda mais urgente: a violência contra pessoas LGBTQIA+, especialmente contra trans. “A gente fala de igualdade, mas ainda há lugares onde ser quem você é pode custar a vida”, diz Haysam. Em vários países, ser LGBT ainda é crime, e em alguns casos pode levar à pena de morte. O ator lembra que o Brasil ainda é o país que mais mata pessoas trans no mundo, refletindo uma realidade de exclusão, preconceito e vulnerabilidade extrema. “Isso não é só uma estatística, são vidas interrompidas, sonhos destruídos. É por isso que o combate à LGBTfobia precisa ser constante e global”, completa.
Morando há mais de dez anos nos Estados Unidos, o ator vem ganhando destaque no país após protagonizar o filme “Play”, disponível na AppleTV+, e por levar a temporada do espetáculo “O Vampiro de Niterói” para o exterior.
Entenda o caso
A Suprema Corte dos Estados Unidos vai se reunir no dia 7 de novembro, em uma conferência privada, para decidir se aceitará ou não o caso de Kim Davis ( ex-secretária do condado de Rowan, no Kentucky), que se recusou, em 2015, a emitir licenças de casamento para casais do mesmo sexo após a decisão Obergefell v. Hodges, que legalizou o casamento igualitário no país. O processo, que pode levar à reavaliação desse precedente histórico, surgiu após Davis ser condenada a pagar indenizações a casais que processaram por discriminação. Na reunião, os juízes não decidirão o mérito do caso, mas apenas se ele será incluído na pauta da Corte para futuras audiências orais.
Ficha Técnica
Ator: Haysam Ali (haysamali)
Fotografia: Clovis Oliveira (@clovisph)
Video: Junior Fernandes (@afilmbyjunior)
Styling e Direção Criativa: Rafaela Kultgen (@rafaelasa_)
Beauty: Sara Delgado