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Com a COP 30, Lula almeja reforçar liderança global do Brasil, mas enfrenta desafios
Evento acontece nesta semana em Belém, no Pará
10/11/2025 12h49
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Portal Leo Dias
Presidente Lula - Reprodução: Paulo Mumia/COP30

Nesta semana, a capital paraense, Belém, hospeda a 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30). O acontecimento tem o potencial de converter o Brasil em uma vitrine no âmbito político e diplomático, consolidando o país como um líder ambiental no cenário mundial. No entanto, o analista político Magno Karl pondera os obstáculos que surgem ao tentar fazer da COP30 um resultado duradouro, e "não apenas espetáculo".

Ambições e Desafios

O especialista aponta inicialmente que o chefe de Estado Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deseja que o Brasil retorne a ser visto como "parte da solução" tanto na discussão climática quanto na administração global. Ele também sublinha que há um objetivo interno: transformar o discurso ecológico em prestígio político. "A ideia é usar a COP como símbolo de compromisso com o futuro, algo que dá apelo entre jovens, investidores e setores urbanos progressistas, públicos que o governo vem tentando reconquistar", explica.

Karl avalia que a retórica tem obtido êxito, mas, na execução, existem muitas restrições. "O governo tem apostado em eventos, comitês e acordos de cooperação para mostrar movimento, mas ainda falta coerência entre o que se diz e o que se faz, tanto no Brasil quanto em outros países. O discurso é grátis, mas ações têm custos significativos que os países têm evitado enfrentar de frente", comenta.

"O desafio é transformar a COP30 em legado, não apenas em espetáculo. E isso exige metas claras, indicadores de resultado e articulação com governos, empresas e sociedade civil, e metas que sejam ambiciosas, mas realistas, evitando, como se diz, que o ótimo seja inimigo do bom".

Acerto e Risco

O cientista político destaca ainda que trazer a COP para o Brasil foi um "acerto estratégico e um risco calculado". "Acerto, porque dá ao governo uma plataforma internacional que poucos países têm, e porque reforça a imagem de um Brasil de diálogo, diversidade e responsabilidade climática. Mas há também um risco: quanto mais o governo promete, mais será cobrado", frisa.

O analista ressalta que até agora, o desenvolvimento é incerto. "O país se prepara para receber o evento, mas a coordenação política e institucional ainda parece fragmentada. Há disputa de protagonismo entre ministérios, e as entregas concretas, como infraestrutura, planos de transição, parcerias, avançaram devagar e chegaram a gerar, como no caso dos hotéis, desgaste ao país. Em resumo: trazer a COP foi bom. Fazer dela um sucesso político e de gestão, porém, é um caso que exige engajamento e visão reais, muito além do puro marketing ambiental".