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Coordenador do PT é ligado a empresa da “Farra do INSS” e recebe R$ 2,6 milhões
Ricardo Bimbo, dirigente nacional do partido, foi citado em relatório do Coaf que aponta transferências da ADS Soluções e Marketing, investigada por desvio de recursos de aposentados.
12/11/2025 12h24
Por: Natália Raquel
Ricardo Bimbo. Reprodução/Redes Sociais

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações suspeitas entre o coordenador do Setorial Nacional de Tecnologia e Informação do PT, Ricardo Bimbo, e a ADS Soluções e Marketing, empresa sob investigação por envolvimento no esquema de desvio de recursos de aposentados do INSS, conhecido como “Farra do INSS”.

 

Segundo relatórios enviados à CPMI do INSS, a ADS transferiu R$ 120 mil diretamente para a conta pessoal de Bimbo e outros R$ 8,29 milhões para a Datacore, empresa de tecnologia da qual ele é sócio. Desses valores, R$ 2,6 milhões foram repassados após sua entrada na sociedade, entre agosto de 2023 e julho de 2024.

 

Ao ser questionado, o dirigente afirmou não se lembrar dos pagamentos nem de quais serviços teriam sido prestados para justificar os valores milionários.

 

Durante o mesmo período, o petista pagou um boleto de R$ 10,3 mil ao contador João Muniz Leite, ex-responsável pelas contas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Muniz foi alvo da Operação Fim da Linha, do Ministério Público de São Paulo, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC.

 

Petista desde 1989, Ricardo Bimbo integrou o grupo de trabalho da campanha de Lula em 1998 e exerceu funções em gestões do partido. Durante a administração de Marta Suplicy (2001–2004) na Prefeitura de São Paulo, atuou com Rui Falcão, então secretário de Governo. Seu nome já havia aparecido em investigações do Ministério Público paulista sobre suposto favorecimento a instituições ligadas a militantes do PT.

 

A CPI do INSS apurou que a ADS Soluções e Marketing, embora registrada como empresa de marketing, movimentou altos valores de entidades que realizavam descontos suspeitos em benefícios previdenciários. Entre as transferências, destacam-se R$ 43,1 milhões da Potyguar Associação de Proteção e Defesa dos Aposentados, R$ 23,2 milhões da AAPPS — alvo da Operação Sem Desconto — e R$ 5,2 milhões da Apdap Prev, que teve bens bloqueados pela Advocacia-Geral da União (AGU).

 

A empresa também repassou recursos a outros investigados, como o escritório de advocacia de Eric Fidelis, filho do ex-presidente do INSS, André Fidelis, que recebeu R$ 2,6 milhões. Parte das transações envolveu ainda uma empresa da esposa do ex-procurador-geral do INSS, Vigílio Antônio Riberia de Oliveira Filho.

 

Os registros financeiros mostram que, até dezembro de 2024, a ADS mantinha um saldo devedor de R$ 2,98 milhões com a Datacore. As movimentações seguem sob análise da CPMI e do Coaf.