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Alguém pediu “Salve Jorge” de volta no Globoplay Novelas?
Trama de Gloria Perez ganha sua primeira reprise depois de 13 anos
18/11/2025 09h00
Por: Flávio Melo
Imagem: Divulgação / Globo

A partir de dezembro, o Globoplay Novelas trocará o brilho de “Celebridade”, de Gilberto Braga, pela turbulência de “Salve Jorge”, de Gloria Perez — uma decisão que ecoa, no mínimo, exótica dentro de um catálogo repleto de tramas mais potentes e queridas pelo público. É quase como abrir a porta de casa esperando uma visita e, de repente, dar de cara com outra.

Exibida originalmente pela TV Globo entre outubro de 2012 e maio de 2013, “Salve Jorge” chegou cercada de expectativa — afinal, substituiu o fenômeno “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro —, mas terminou desaprovada. Público e crítica torceram o nariz diante dos tropeços da trama e de sua própria ambição: em vez de se aprofundar no delicado e urgente tema do tráfico internacional de mulheres, fez apenas pinceladas apressadas, desperdiçando a chance de transformar o assunto em debate sério dentro do horário nobre. No caminho, acumulou gafes, situações inverossímeis e personagens que não conquistaram a torcida do público, como o casal de protagonistas vivido por Nanda Costa e Rodrigo Lombardi, além da vilã Lívia Marine, interpretada por Claudia Raia, que jamais conseguiu superar a unânime Carminha (Adriana Esteves), então ainda muito recente na memória coletiva.

Ainda assim, vale ressaltar que o talento de Giovanna Antonelli e Alexandre Nero trouxe fôlego à história por meio da delegada Helô e do boêmio Stênio — tanto que ambos retornaram em “Travessia” (2022-2023), outra obra problemática de Perez.

A verdade é que “Salve Jorge” não conquistou o público de fato durante sua exibição. Havia ali boas intenções, claro, mas também uma coleção de incoerências que fez muita gente abandonar a trama no meio do caminho. E agora, anos depois, é justamente ela quem ganha espaço no Globoplay Novelas — muito talvez pela alta procura dentro do Globoplay. Mesmo assim, entre tantas produções memoráveis disponíveis, a escolha soa como insistir em um sapato apertado: dá para usar, mas ninguém garante que a caminhada será confortável.

Resta saber quem vai embarcar nessa viagem à Capadócia. Afinal, se a novela não agradou na TV aberta, talvez no canal por assinatura ela encontre um novo destino… ou, ao menos, um espectador disposto a revisitar esse curioso capítulo da teledramaturgia brasileira.