A deputada federal e ex-governadora maranhense, Roseana Sarney (MDB), aos 72 anos, recebeu o diagnóstico de câncer na mama de natureza agressiva, identificado durante um check-up. O tumor é classificado como triplo-negativo, considerado incomum e virulento para sua faixa etária. Apesar da gravidade, o tratamento instituído, que une quimioterapia e imunoterapia, tem apresentado eficácia.
Em entrevista concedida ao jornal O Globo, Roseana, que é filha do ex-presidente José Sarney, compartilhou o impacto da descoberta em sua vida e fez uma declaração categórica: “Não tenho medo da morte”. Ela prosseguiu, refletindo sobre a finitude: “Todo mundo tem que se preparar para ela. A morte pode acontecer a qualquer momento, com qualquer um de nós. O que eu não quero é sofrer”.
A política acrescentou que sua prioridade é evitar sentir dor intensa ou ter o discernimento comprometido, e tampouco gerar encargos para terceiros. “Eu decido a minha vida, se quero continuar vivendo”.
Segundo ela, a bateria de exames em São Paulo foi motivada pela busca de uma razão para a perda de peso acentuada, que não estava ligada a nenhuma dieta ou explicação aparente. “Me internei para começar a batelada de testes. O primeiro deles foi a mamografia. Assim que terminou, pediram para repetir mais uma vez. Achei estranho”, relatou.
“Quando subi no quarto, os médicos estavam todos lá (Roberto Kalil, cardiologista; Artur Katz, oncologista; David Uip, infectologista), para me dar a notícia de que eu tinha um câncer de mama triplo-negativo, um tipo de tumor raro e agressivo”.
Os resultados dos exames, no entanto, indicaram a ausência de metástase. Roseana está há três meses reclusa no hospital na capital paulista, dedicando-se ao seu cuidado.
A deputada informou ao O Globo que a terapia combina a quimioterapia com a imunoterapia, e uma intervenção cirúrgica está prevista para o início do próximo ano. “Já tive de receber transfusão de sangue. Quinta-feira passada vim para o hospital porque minha pressão caiu muito. Costumo dizer que esse é um tratamento para gente grande”.
Os efeitos colaterais têm se manifestado de maneira intensa, com comichão e lesões cutâneas, demandando o uso de medicamentos para mitigação dos sintomas. Mesmo assim, o trabalho não cessou. Ela conta que tem acompanhado a COP30 e mantido encontros de trabalho, ainda que em menor volume.
A parlamentar adotou a cabeça sem fios durante o período de tratamento oncológico. “Comprei uma peruca no mesmo dia em que decidi raspar a cabeça. Mas quando cheguei em casa, pensei: por que vou usar isso? Tirei e nunca mais usei”.
Roseana ressaltou que a preocupação estética individual deve ser respeitada, e que a família demonstrou reações variadas. “Minha mãe, que está um pouco esquecida, fala quando me vê por vídeo: ‘tá carequinha, tá bonitinha’. Meu pai levou um susto quando me viu, disse que não queria me ver daquele jeito. Falei que ele teria de me ver assim, sim”, recorda. Apesar dos sustos, Roseana tem recebido apoio integral da família, que busca conforto na fé e mantém esperança na recuperação.