O governo dos Estados Unidos suspendeu, nesta quinta-feira, as tarifas de 40% aplicadas sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros. A ordem executiva, assinada pelo presidente Donald Trump, vale para itens que entraram no país a partir de 13 de novembro. A medida reduz a pressão sobre exportadores do agronegócio, que desde agosto enfrentavam custos elevados.
O texto publicado pela Casa Branca afirma que houve “progresso inicial” nas negociações abertas após conversa entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de outubro. Desde então, o Itamaraty conduziu tratativas com autoridades norte-americanas. Na semana passada, o chanceler Mauro Vieira se reuniu com o senador Marco Rubio, em Washington, para tratar do tema.
A suspensão atinge carne bovina fresca, resfriada ou congelada, produtos de cacau e café, frutas, vegetais, raízes, nozes e fertilizantes. A lista inclui também minérios e óleos minerais, além de peças ligadas ao setor aeronáutico. Máquinas agrícolas, veículos, autopeças, aço, químicos, têxteis e calçados seguem sujeitos à alíquota adicional.
A decisão tem caráter parcial. O governo Trump mantém o estado de emergência comercial e poderá retomar ou ampliar tarifas caso, segundo o texto, o Brasil não atenda às exigências impostas. Órgãos como Tesouro, Comércio, Segurança Interna, USTR e Conselho de Segurança Nacional continuam responsáveis pelo monitoramento.
Importadores poderão pedir reembolso de tarifas pagas indevidamente desde a data de vigência da ordem. A Alfândega dos EUA conduzirá os procedimentos. Economistas avaliam que o alívio pode reduzir pressões sobre exportadores brasileiros e sobre o mercado americano, afetado pelo encarecimento de alimentos.
Vieira afirmou que o Brasil entregou, no início do mês, uma “proposta geral” sobre o tarifaço. Ele espera que os dois países fechem um acordo inicial até o começo de dezembro, que serviria de base para negociações mais longas. Segundo o ministro, há sinais de que Washington deseja “virar a página”.
O tarifaço começou em abril, quando os EUA aplicaram sobretaxa global de 10% sobre diversos países. Em agosto, Trump elevou para 40% a cobrança sobre produtos brasileiros e vinculou a medida ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. A decisão provocou reação de setores do agronegócio, que pressionaram o governo brasileiro por resposta diplomática.
Na reunião com Vieira, Rubio levou um recado de Trump: o presidente norte-americano pretende “resolver rapidamente” o impasse e manter boas relações comerciais com o Brasil.