O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, nesta quinta-feira, que a redução parcial das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros não decorre da atuação diplomática do governo brasileiro. Para ele, a decisão da Casa Branca atende apenas a interesses internos da administração Donald Trump, pressionada pela inflação.
Em publicação na rede X, o parlamentar disse que a medida busca aliviar o preço de setores dependentes de insumos estrangeiros. Segundo ele, o governo norte-americano tenta entregar resultados rápidos antes das eleições. O deputado citou que outros países também foram beneficiados e defendeu que a decisão tem caráter exclusivamente doméstico.
Eduardo criticou ainda o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Ele afirmou que a tarifa de 50% aplicada pelos EUA à maior parte das exportações brasileiras estaria relacionada a uma crise institucional que, segundo ele, afeta a confiança internacional no País. O parlamentar chamou a cobrança de “tarifa-Moraes”.
A manifestação ocorreu no dia em que a Casa Branca publicou ordem executiva zerando tarifas de 40% sobre café, carne bovina, frutas, vegetais, cacau e fertilizantes. A medida vale para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro. Setores como máquinas, veículos, aço, químicos, têxteis e calçados permanecem sujeitos à alíquota adicional.
A redução foi anunciada após conversas entre autoridades dos dois países. A Casa Branca informou que houve “progresso inicial” nas negociações desde o telefonema entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de outubro. O diálogo abriu caminho para a revisão da medida punitiva adotada sob alegação de risco à segurança e aos interesses econômicos americanos.
A retirada parcial do tarifaço pode aliviar setores exportadores brasileiros. Importadores poderão solicitar reembolso das tarifas cobradas a partir da data de vigência. A lista completa inclui também derivados de petróleo, minérios e peças ligadas ao setor aeronáutico. Parte das sobretaxas permanece ativa e poderá sofrer novos ajustes.