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Michelle Bolsonaro se pronuncia após detenção e questiona 'Justiça humana'
Ex-primeira-dama cancela agenda em Fortaleza, manifesta apoio ao ex-presidente e critica decisão judicial em comunicado oficial.
22/11/2025 19h25 Atualizada há 9 meses
Por: Redação
Foto-Reprodução: Redes Sociais

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, cumprida na manhã deste sábado (22) em Brasília por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou uma série de repercussões imediatas no cenário político e jurídico nacional. Entre os desdobramentos, destacou-se a manifestação de Michelle Bolsonaro, que se encontrava em Fortaleza e se pronunciou por meio de suas plataformas digitais. O comunicado da ex-primeira-dama foi publicado horas após a detenção de seu marido, enquanto ele aguardava o agendamento da audiência judicial, marcada inicialmente para o domingo.

Os detalhes da detenção e o posicionamento do STF

O ex-presidente Bolsonaro foi detido por volta das 6h e levado à sede da Polícia Federal (PF) no Distrito Federal. A decisão de Moraes acatou um pedido da própria PF, que contou com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O fundamento central apontado pelo ministro para a determinação da prisão preventiva foi o risco à ordem pública, além de existirem indícios de violação da tornozeleira eletrônica que o ex-presidente utilizava. É crucial ressaltar que a medida cautelar em questão não se trata do início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses pela tentativa de golpe, visto que os prazos recursais relativos a essa condenação ainda estão em aberto.

A reação de Michelle Bolsonaro 

Recebendo a notícia em Fortaleza, onde participaria de um evento do PL Mulher, Michelle Bolsonaro recorreu ao Instagram para expressar sua opinião. No texto, ela declarou um posicionamento de fé e resistência: “Nós não vamos desistir da nossa nação. Confio na Justiça de Deus. A justiça humana, como temos visto, já não se sustenta... Mas sei que o Senhor dará o Escape, assim como fez em 2018, quando meu marido foi vítima de uma facada, planejada para matá-lo, por um ex-militante psolista”.

A ex-primeira-dama mencionou as sequelas físicas que o ex-presidente alegadamente carrega desde o episódio de 2018 e reforçou seu apoio incondicional. Ela concluiu: “Em Deus ele é forte. Ele é grande, e eu o amo muito. Não o deixarei desistir do propósito que o Senhor confiou a ele”.

Após a confirmação da prisão, Michelle cancelou sua participação no evento do PL Mulher, justificando: “Agradeço de coração a compreensão e o carinho de todos. Seguimos em oração. O Brasil precisa da nossa intercessão”. Ela retornou a Brasília.

Violação da cautelar e risco de fuga

Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, submetido a medidas cautelares devido a interferências nas investigações em curso. O registro de violação da tornozeleira eletrônica pelo Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal ocorreu à 0h08 deste sábado.

Moraes também mencionou a vigília convocada por seu filho, Flávio Bolsonaro, na noite anterior em frente ao condomínio do ex-presidente. O ministro avaliou que tal mobilização poderia facilitar uma eventual fuga.

Na decisão registrada pelo STF, Moraes salientou que o condomínio do ex-presidente está a poucos minutos do Setor de Embaixadas Sul. Para o magistrado, essa proximidade, somada ao histórico de tentativas de evadir-se de investigações — como a passagem de Bolsonaro pela Embaixada da Hungria e a suposta intenção de buscar asilo na Embaixada da Argentina —, reforçaria a avaliação do risco de fuga. A saída do país de deputados aliados durante o período investigatório também foi citada como um fator que reforça essa percepção.

Encaminhamento e posição da defesa

Bolsonaro chegou à sede da Polícia Federal em Brasília às 6h35, sendo posteriormente encaminhado para uma sala reservada a autoridades na Superintendência da PF.

A defesa do ex-presidente declarou-se perplexa com a decretação da prisão preventiva, alegando haver riscos à saúde do ex-presidente. O Partido Liberal (PL), legenda da qual Bolsonaro faz parte, manifestou-se classificando a medida como desnecessária.