O chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou no domingo (23) que planeja dialogar com o presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), a respeito da escalada de atritos entre a nação dos Estados Unidos e a Venezuela. Essa manifestação foi feita durante seu pronunciamento na cúpula do G20, em Joanesburgo, na África do Sul.
Lula expressou estar “muito preocupado” com a conjuntura e declarou que o Brasil, devido à sua fronteira com a Venezuela e seu papel na região, buscará persuadir Trump a retroceder. “Eu estou muito preocupado e gostaria que não acontecesse nada, nada militarmente na América do Sul”, assegurou ele.
Trump tem movimentado equipamento bélico para as proximidades da Venezuela, alegando a necessidade de combater o comércio de entorpecentes. O governo dos EUA afirma que Nicolás Maduro estaria à frente do chamado Cartel de los Soles — um suposto esquema de tráfico de drogas imputado a oficiais militares venezuelanos, o que Maduro refuta.
Apesar dos desentendimentos, Maduro não demonstrou intenção de entrar em confronto com as forças americanas. Em várias ocasiões, ele solicitou harmonia e chegou a cantar “Imagine”, de John Lennon, durante um evento oficial em Miranda, no dia 15 de novembro.
A Venezuela vive sob um sistema autoritário conduzido por Nicolás Maduro, de 63 anos. O território carece de liberdade de imprensa e adversários políticos podem ser encarcerados por “crimes políticos”. A Organização dos Estados Americanos (OEA) já considerou “ilegítima” a designação do Conselho Nacional Eleitoral, em 2021. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos documentou transgressões em relatórios divulgados em 2022 e 2023.
Um levantamento da Human Rights Watch sinaliza que 7,1 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2014. Maduro, no entanto, nega que exista uma ditadura, e afirma que “há eleições regulares” e que a oposição “não consegue vencer”.