Expulso do Exército no ano passado, o sargento reformado Antonio Ésio de Sousa Cruz decidiu levar a briga para outro nível e acionou o Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos. Ele pediu nada menos que a cassação de vistos e a aplicação das sanções da Lei Magnitsky contra um general de divisão e um juiz militar federal, acusando os dois de violação de direitos humanos e corrupção.
Nos documentos enviados, o sargento coloca no centro da confusão o general André Luiz Allão e o juiz militar Rodolfo Menezes. E não para por aí. Ele afirma que outros oito militares e integrantes do Judiciário teriam participado de uma perseguição política que terminou na sua expulsão e na perda da pensão por invalidez. Sousa Cruz ainda declara ter diagnóstico de TEA, esquizofrenia e síndrome de Asperger.
A situação começou a desandar de vez em 2022, quando ele foi preso após participar do apedrejamento do escritório do advogado Marcos Coelho, que defendia um policial militar acusado de matar o sobrinho do sargento, em Camocim, no Ceará.
Depois da prisão, o clima ficou ainda mais pesado. Sousa Cruz teria desacatado e ofendido o escrivão da corregedoria militar e o então comandante da 10ª Região Militar, general André Luiz Allão. O desdobramento veio rápido: ele foi condenado a dois anos e seis meses de prisão e perdeu a pensão por injúria e destruição de patrimônio.