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Bolsonaro pode ter pena reduzida caso participe de programa de leitura
Ex-presidente, condenado a 27 anos por liderar golpe de Estado, pode diminuir tempo de prisão ao participar voluntariamente de programa que incentiva leitura e análise de obras selecionadas
05/12/2025 13h26
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Jair Bolsonaro - Reprodução: EBC

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) terá a possibilidade de diminuir uma porção de sua sentença de 27 anos e três meses de reclusão ao aderir ao projeto “Ler Liberta”, disponibilizado pelo Distrito Federal. A iniciativa, estabelecida em parceria entre a Secretaria de Administração Penitenciária e a Secretaria de Educação da capital, concede quatro dias a menos de custódia por cada volume lido, desde que a leitura seja confirmada por meio de um relatório descritivo.

Dentre os títulos selecionados, constam clássicos da literatura nacional, como Vidas Secas, Sagarana e Memórias Póstumas de Brás Cubas, além de produções contemporâneas como Tudo é Rio e Dias Perfeitos. Também fazem parte livros de importância histórica ou filosófica, tais como Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva, e O Processo, de Franz Kafka.

Ainda Estou Aqui narra a trajetória da mãe do autor, Eunice Paiva, que enfrentou o desaparecimento e assassinato do esposo durante o regime militar, e serviu de inspiração para o filme homônimo premiado com o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024. Por sua vez, O Processo acompanha Josef K., acusado e julgado por uma infração não especificada, demonstrando os dilemas de uma inculpação inesperada.

A participação no programa é opcional. Cada indivíduo detido recebe a obra em sua cela, acompanhada de um manual explicativo sobre o abatimento da pena. O prazo limite para finalizar a leitura é de 21 dias, e o parecer deve ser entregue em até dez dias, avaliando a qualidade, veracidade e clareza da produção textual. No DF, cada recluso pode ler até 11 livros anualmente, totalizando até 44 dias de redução da sentença.

Bolsonaro está preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal por ilícitos que englobam associação criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e dano a bem tombado (patrimônio).

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