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Set de filme sobre Bolsonaro passa por fiscalização de sindicato após denúncias
'Dark Horse' está sendo produzido pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-Secretário Especial de Cultura do governo Bolsonaro
09/12/2025 12h57
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Dark Horse Movie

O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP) realizou uma vistoria na última segunda-feira (8), no local de gravação da obra cinematográfica Dark Horse, que narra a história do ex-presidente, Jair Bolsonaro. A entidade comunicou ter recebido "várias denúncias" relacionadas à realização do longa-metragem, mas não forneceu detalhes sobre o conteúdo dessas reclamações.

O projeto é uma colaboração binacional (americana e brasileira) e está sendo filmado em São Paulo. A coordenação da produção está a cargo do deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também exerceu o cargo de Secretário Especial de Cultura no governo Bolsonaro. A direção pertence ao norte-americano Cyrus Nowrasteh, assim como Bolsonaro é encarnado pelo ator estadunidense Jim Caviezel.

Ainda conforme o sindicato, a fiscalização tinha o propósito de dialogar com a equipe e os responsáveis pelo filme, "apresentando as denúncias recebidas e solicitando que sejam tomadas as devidas providências para garantir que os artistas sejam tratados de acordo com as regulamentações do Sated".

O organismo conclui a publicação solicitando que atores, figurantes, técnicos ou outros profissionais da área encaminhem reclamações através da seção "Reclame Sated", disponível no site da instituição.

Detalhes da Produção Dark Horse

O filme que irá retratar a vida de Jair Bolsonaro está em fase de produção, e imagens de cenas vazaram nas mídias sociais – incluindo registros referentes ao instante em que o ex-presidente foi vítima de uma agressão a faca por Adélio Bispo em 2018, antes de ser eleito. O título da película será Dark Horse (“O azarão”, em tradução livre).

Bolsonaro será interpretado por Jim Caviezel, artista estadunidense famoso por dar vida a Jesus no clássico A Paixão de Cristo. “Nas imagens que circulam, é possível ver o ator recriando no set de filmagem o comício em que o ex-presidente foi golpeado.

Com a vestimenta amarela com a inscrição “Meu partido é o Brasil”, similar à que Bolsonaro usava na ocasião, o intérprete aparece sendo carregado nos braços de seus apoiadores após a agressão. Na realidade, Adélio Bispo, identificado pela autoridade policial como o autor do ataque, permanece detido. As averiguações concluíram que ele agiu sozinho.

Na obra, Jair Bolsonaro será descrito como um “improvável vencedor” das eleições, em uma narrativa heroica. Além da disputa eleitoral de 2018 e sua carreira política, o longa também abordará o passado militar de Bolsonaro.

Outros nomes selecionados para o filme são Marcus Ornellas, celebridade brasileira que reside no México há duas décadas, escolhido para encarnar o senador Flávio Bolsonaro; e Edward Finlay, norte-americano reconhecido por participar de produções como + Velozes + Furiosos (2003) e Bad Boys II (2003), que viverá o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

A estreia está planejada para 2026, ano de votações para a Presidência no Brasil. Jair Bolsonaro não poderá concorrer por estar impedido legalmente. A indicação do ex-presidente é que seu filho Flávio Bolsonaro seja seu sucessor. Em meio a pressões e impasse internos na própria direita, Flávio, contudo, já sinalizou que pode não prosseguir até o final do processo — ressaltando ter um "preço" para que abandone sua postulação: "Bolsonaro livre" e "nas urnas".