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Em ligação, Lula afirma à Trump que maior líder do crime organizado do Brasil mora em Miami: “Ajude prendendo logo esse aí”
Presidente diz que comentou com Trump sobre chefe do crime organizado brasileiro que vive nos EUA, mas não revelou identidade
10/12/2025 10h23
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidentes Donald Trump e Lula - Reprodução: Thiago Fontenele/SBT News

Nessa última terça-feira (9), durante um discurso no Palácio do Planalto, que serviu como palco para a apresentação das novas normas da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), revelou ter comunicado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o principal comandante do crime organizado no Brasil reside atualmente em Miami.

Conforme narrado pelo governante brasileiro, a conversa telefônica com o colega norte-americano ocorreu em 2 de dezembro. O foco central da conversa foi o combate ao crime organizado e às organizações criminosas com atividade em escala global. O petista garantiu que o Brasil está pronto para expandir a colaboração com os EUA nesta luta.

Em seu discurso, Lula reproduziu a mensagem transmitida ao líder estadunidense, mantendo as aspas originais:

“Eu liguei para o presidente Trump dizendo para ele que, se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição. Disse, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, o maior devedor deste país, que é importador de combustíveis fósseis, mora em Miami. Então, se ele quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí”, afirmou Lula durante o discurso.

Apesar da assertiva incisiva, o presidente não indicou a identidade do indivíduo nem proferiu nomes ao se referir ao suposto líder criminoso. A assessoria do Palácio do Planalto também não forneceu detalhes se alguma ação concreta foi definida após o contato entre os dois chefes de nação.

Contexto e Justificativa da Cooperação

Recentemente, uma reportagem veiculada no programa Fantástico, da TV Globo, exibiu que Ricardo Magro, um advogado que estabeleceu um vasto negócio no ramo de combustíveis e é acusado de ter débitos fiscais elevados, desfruta de uma vida de luxo em Miami. Contudo, o presidente da República não citou diretamente Ricardo Magro em seu pronunciamento na capital.

Segundo o presidente, o diálogo com Trump é crucial, pois, em sua perspectiva, existem líderes de grupos criminosos que coordenam ilícitos no território brasileiro, mas têm residência fora do país, em particular em solo americano. Para o líder do PT, o combate à criminalidade organizada exige uma cooperação internacional eficaz, intercâmbio de dados e atuação conjunta entre as nações.

Em comunicado, a assessoria presidencial informou que a ligação entre Lula e Trump englobou debates sobre a luta contra as facções e a necessidade de fortalecer o pacto bilateral na esfera da segurança pública, sobretudo diante da ação transnacional das estruturas delituosas.

A manifestação do presidente surge em um momento de intensificação do debate acerca de delitos financeiros, ocultação de bens e grandes esquemas de evasão fiscal ligados ao crime organizado – matérias que têm sido tratadas como prioridade pelo governo federal.