A maior investigação já realizada pelo Ministério Público de São Paulo contra o PCC terminou sem qualquer punição. O dossiê, produzido ao longo de três anos e meio com milhares de interceptações telefônicas, relatórios, apreensões e depoimentos que embasaram a denúncia de 175 integrantes da facção, foi atingido pela prescrição.
Conforme divulgado pelo Metrópoles, a 2ª Vara de Presidente Prudente reconheceu, em 2 de dezembro, que o prazo legal para punição havia expirado, extinguindo a responsabilidade de todos os réus, entre eles Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
O processo foi considerado pelo Gaeco “o maior mapeamento da história do crime organizado no Brasil”. A denúncia, apresentada em 2013, detalhava a cadeia de comando da facção, o fluxo de drogas e armas, fornecedores internacionais, planos de homicídios e resgates, além do faturamento milionário do grupo. O MP apontava que a cúpula mantinha atuação mesmo presa, com alcance em mais de 20 estados, além da Bolívia e do Paraguai.
Apesar do volume das provas, o caso nunca chegou a julgamento. Liminares, fragmentações da ação e sucessivos recursos fizeram o processo se arrastar por mais de uma década. Quando a Justiça analisou o mérito, em 2025, a possibilidade de punição já tinha sido perdida. No despacho, a juíza responsável afirmou que os crimes estavam prescritos com base no tempo decorrido, nas penas previstas e na ausência de sentença. Com isso, determinou a absolvição de todos os investigados.
A defesa de Marcola afirmou que a decisão segue estritamente o que prevê a legislação. O advogado Bruno Ferullo declarou que o Judiciário apenas reconheceu a prescrição da pretensão punitiva, lembrando que se trata de uma garantia constitucional. Ele ressaltou que não houve favorecimento, mas cumprimento da lei penal e dos princípios do devido processo legal e da duração razoável do processo.