O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta sexta-feira (12) que defende uma intervenção do governo federal na Enel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica na capital. A declaração foi dada em entrevista ao Jornal da CBN, após o vendaval que provocou queda de árvores, falta de luz e transtornos em várias regiões da cidade.
Segundo Nunes, a escassez de equipes da empresa tem dificultado o restabelecimento da energia e a remoção de ao menos 48 árvores que ainda permanecem caídas. Para ele, a concessionária não demonstra capacidade operacional para responder a eventos climáticos recorrentes.
“O que estamos fazendo é pressionar uma empresa que, infelizmente, não tem condições de atender às demandas da cidade. Toda vez que venta ou chove, passamos pelo mesmo problema. É preciso deixar claro que essa empresa não tem mais como continuar em São Paulo”, afirmou.
O prefeito também contestou informações divulgadas pela Enel sobre a mobilização de 1,5 mil equipes na capital paulista. De acordo com Nunes, a prefeitura cruzou dados das placas dos veículos informados pela concessionária com o sistema de monitoramento SmartSampa e encontrou inconsistências.
“Pegamos as placas dos veículos que a Enel diz que tem, inserimos no SmartSampa, e elas não aparecem circulando em nenhum ponto da cidade. Ontem, havia menos de 40 veículos nas ruas”, disse.
Equipes da prefeitura seguem atuando na retirada de árvores e na liberação de vias, como na Avenida 23 de Maio, uma das mais afetadas pelo temporal. A administração municipal afirma que o trabalho avança, mas depende da atuação da concessionária para normalizar o fornecimento de energia em áreas atingidas.
Nunes informou ainda que a prefeitura notificou formalmente a Enel e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por meio da Procuradoria-Geral do Município. O objetivo é cobrar providências imediatas e responsabilizar a empresa pelos prejuízos causados à população.
A Enel ainda não se manifestou sobre as críticas do prefeito nem sobre a possibilidade de intervenção federal mencionada por ele.