O ex-presidente Jair Bolsonaro, detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília após condenação por tentativa de golpe de Estado, definiu, nas últimas semanas, seu filho, o atual Senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, como o nome da direita para a disputa ao Palácio do Planalto em 2026.
Conforme havia prometido, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), aceitou a decisão do ex-chefe de Estado e confirmou a postulação de Flávio pela legenda nas eleições de 2026, por meio de uma nota oficial emitida no dia 5 de dezembro.
Contudo, para o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP), eleito para a Assembleia Legislativa em 2022 e reconhecido por suas análises políticas difundidas em vídeos no Instagram, a escolha pelo herdeiro representa um autêntico “golpe de mestre” de Jair Bolsonaro.
Isso porque, na visão do legislador, que é Economista pela Fundação Getúlio Vargas e detém um PhD em Economia pelo Insper, o objetivo primordial de Jair Bolsonaro não é assegurar a vitória no pleito de 2026, mas sim manter o domínio sobre o campo conservador. Esse controle estaria em risco caso o atual Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fosse o escolhido como candidato da direita.
“O ponto central é bem simples. Bolsonaro não tá numa disputa pra vencer 2026. Ele tá numa disputa pra não perder o controle da direita. Ao escolher Flávio Bolsonaro, um candidato com menor penetração no centro e maior rejeição, Bolsonaro faz exatamente o que precisava fazer para resolver a sua maior preocupação, o avanço de Tarcísio de Freitas”, explicou o economista em sua avaliação.
“Tarcísio vem acrescendo, se tornando competitivo, palatável pros empresários, governadores, congresso. E por que é tão importante Bolsonaro conter esse movimento? Basta lembrar uma regra básica da política,” complementou.
Léo Siqueira traça um paralelo, sugerindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva empregou uma estratégia idêntica em 2018. Naquele ano, Lula optou por não endossar Ciro Gomes, que estava em ascensão na esquerda, e lançou a chapa do PT com Fernando Haddad. Na ocasião, o PT perdeu a disputa para o próprio Bolsonaro, mas quatro anos mais tarde, Lula reconquistou a Presidência da República.
“Quem controla o candidato, controla o bloco. Lula fez isso em 2018. Enquanto tava preso, o Ciro podia ganhar as eleições. Ele apoiou o Ciro? Não, lançou o Haddad e perdeu a eleição. Mas manteve a hegemonia da esquerda até hoje. Quatro anos depois, volta e se torna presidente”.
O deputado continuou sua explanação, afirmando que o raciocínio é o mesmo, embora em lados opostos: “A lógica é a mesma aqui. Se o Bolsonaro assistisse imóvel, o Tarcísio poderia virar o líder da direita. E o Bolsonaro viraria um acionista minoritário do próprio campo”.
“Se o Tarcísio disputar essa eleição e for competitivo, ele pode ganhar ou se perder, se viabilizar pra 2030. E se Tarcísio crescer, os amigos, os deputados, os senadores, os prefeitos migram todos pra eles muito rapidamente. E aí Bolsonaro vira um coadjuvante, como estava virando”.
“A escolha de Flávio, portanto, funciona como um aviso muito claro de Bolsonaro. Não existe aliança sem que eu seja hegemônico. Bolsonaro sabe que o preço eleitoral pode ser alto e que isso aumenta a probabilidade de Lula vencer”.
“Mas na equação dele, esse resultado não é o mais importante. Porque com Flávio, Bolsonaro perde a eleição provavelmente. Mas com Tarcísio, Bolsonaro perde o comando com certeza”, concluiu.
Por essa razão, na análise do deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP), essa provável derrota eleitoral pode se converter em uma vitória estratégica para Jair Bolsonaro no futuro. Ele também abordou o dilema que Tarcísio de Freitas precisará enfrentar: disputar a supremacia da direita com o clã Bolsonaro, ou buscar a reeleição em São Paulo e aguardar o pleito de 2030 para almejar a Presidência.
“Ou seja, perder a eleição, mas manter a hegemonia pra Bolsonaro tem muito mais valor que ganhar a eleição e dividir o poder. Agora, o Tarcísio tem três opções. A primeira, enfrentar Bolsonaro no eleitorado da direita”, ponderou.
“Nesse caso, ele perde porque a base radical é cativa. Segunda opção, migrar pro centro. Nesse caso, ele também perde apoio interno e se descola dessa marca da direita. E a terceira, recuar e esperar 2030. Isso enfraquece Tarcísio, mas preserva seu capital político estadual. De qualquer forma, o movimento de Bolsonaro coloca Tarcísio num canto do tabuleiro”, finalizou.
Sobre o principal adversário, Siqueira considera que todo esse cenário na direita pode beneficiá-lo: “E o Lula? Onde é que ele entra nisso? Bom, o Lula é o único jogador que tá jogando parado. Não precisa fazer nada, não precisa reagir. Só assiste de camarote e dá muita risada”.