O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, começou a leitura de seu voto no julgamento desta terça-feira (16) com a voz visivelmente rouca. Logo no início da sessão, o magistrado fez questão de explicar o motivo do problema vocal antes de entrar no mérito da ação penal.
“Me perdoe pela voz, acidente de trabalho porque domingo fui ao jogo do Corinthians e Cruzeiro”, afirmou Moraes, arrancando reações discretas no plenário. O ministro é torcedor declarado do Corinthians, que venceu o Cruzeiro nos pênaltis e garantiu vaga na final da Copa do Brasil 2025, onde enfrentará o Vasco.
Superada a explicação informal, Moraes deu início à leitura do voto referente à ação penal envolvendo os réus do chamado núcleo 2 da trama golpista. Por volta das 9h30, ele apresentou os nomes dos acusados e começou a detalhar as denúncias feitas pela Procuradoria-Geral da República.
Na análise preliminar, o ministro rejeitou os argumentos das defesas que alegavam cerceamento de defesa. Os seis réus do núcleo 2 são apontados como responsáveis pelo gerenciamento das ações da organização criminosa que teria atuado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder em 2022.
Integram esse núcleo Fernando de Sousa Oliveira, Filipe Garcia Martins Pereira, Marcelo Costa Câmara, Marília Ferreira de Alencar, Mário Fernandes e Silvinei Vasques, todos ligados a cargos estratégicos na Polícia Federal, Forças Armadas, PRF ou Presidência da República à época dos fatos.
No primeiro dia de julgamento, em 9 de dezembro, as defesas pediram a absolvição dos acusados, enquanto a PGR reiterou o pedido de condenação. Após o voto de Moraes, os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino ainda devem se manifestar.
Os réus respondem por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O núcleo 2 é o último a ser julgado ainda em 2025, já que o núcleo 5 não teve a denúncia analisada até o momento.